09/40 dias C.A.F.E. | HORA DE MORRER

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
HORA DE MORRER
Devocional 09 por Ranulfo Nascimento

“Pois, por meio da lei eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
(Galátas 2.19,20)

Eu e você, como discípulos de Jesus, somos convidados a fazer a leitura do nosso tempo e
do mundo no qual estamos inseridos. A notícia de uma pandemia deveria ser normal para nós, pois ela é profética: no final dos tempos, haveria os sinais de pragas, fome, guerras… como está previsto na Bíblia. A lembrança de que Deus é soberano em toda e qualquer circunstância também deveria ser algo normal e vivo dentro de nós e de pronto entendimento para seus discípulos. Por isso, somos para morrer!

Enquanto muitos estão com medo da morte e desesperados com as incertezas do futuro, eu e você somos desafiados a morrer para nós mesmos. Em meio ao caos da COVID-19, temos a oportunidade de morrer para o nosso EU, nossa CARNE, nosso EGOÍSMO, nosso MEDO. Quem sabe uma pandemia pode ser uma advertência divina para lembrarmos que temos que morrer? A declaração de Paulo de estar crucificado com Cristo implica a morte daquilo que é desejo e paixão. (Gálatas 5:24: os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e seus desejos.)

O momento é oportuno para manifestar o fruto do Espírito: amor, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Porém, isso só é possível por meio da morte da nossa carne, dos nossos desejos e dos nossos medos. “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim!”. Agora, não sou mais eu, mas o Governo do Espírito Santo sobre minha vida.

Que o Espírito nos ajude a morrer por meio do jejum e da oração, para que outros possam encontrar vida por meio de um telefonema, uma oração intercessora, uma cesta básica, um álcool gel, uma oferta para uma família carente, um galão de água potável para aqueles que estão em situação de risco nas comunidades carentes da nossa cidade, enfim. Todas essas práticas são formas de morrer. O nosso morrer para nós mesmos pode e vai gerar vida no outro. Enquanto o mundo pensa em acumular, com medo do amanhã, eu quero te convidar a dividir, lembrando que é melhor dar do que receber.

Certamente, a dificuldade que temos para morrer se dá pelo fato de estarmos MUITO VIVOS!

Qual é sua posição hoje? Está em uma condição que você pode dividir? Dar algo ao outro é um sinal que estamos morrendo para nós mesmos!

Eu decidi que, em tempos de pragas, eu quero morrer, para que o amor, o cuidado, a graça, a misericórdia e a compaixão do meu Senhor possam ser revelados.

E você, o que decide?

Música sugerida: Porque Ele vive (Fernandinho)
https://www.youtube.com/watch?v=KEeaY1izalQ

08/40 dias C.A.F.E. | COMO MANTER O EQUILÍBRIO? ONDE BUSCAR A CONFIANÇA?

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
COMO MANTER O EQUILÍBRIO DIANTE DO CAOS?
ONDE BUSCAR A CONFIANÇA PARA SUPERAR O MEDO?

Devocional 08 por Gema Sordi

“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-Poderoso pode dizer ao Senhor: Tu és meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.” (Salmo 90.1,2)

Texto-base: Salmos 91

Essas perguntas estão em minha mente nestes últimos dias, e é possível que estejam presentes na mente de muitos. O inesperado bate a nossa porta; o improvável toma forma; simplesmente emissão de alertas. Quando tudo estava tranquilo, a vida seguindo normalmente, os compromissos sendo cumpridos, a agenda sendo seguida, eis que chegou a notícia de um vírus que estava trazendo morte em um país distante.

Aparentemente não se tratava de algo que pudesse nos preocupar; afinal, era muito longe e dificilmente chegaria até aqui. “Vida normal, seguramente isso vai passar rápido”. Foi isso que pensei e segui a vida normalmente.

Em pouco tempo, as notícias foram tomando um rumo que colocou o mundo todo em alerta, pois o vírus, altamente contagioso, avançava rapidamente, trazendo mais e mais mortes em vários países, alcançando um grande número de pessoas. O medo começou a se instalar por todo o lado. Até que o inevitável passou a acontecer.

Minha pergunta foi: “como assim; está se alastrando rapidamente e vindo também para o Brasil?”.

Não houve tempo para me preparar! Isto mesmo, sem muitos alertas, sem o “soar das trombetas e buzinas”, a ordem foi dada: todos precisam parar e esperar até a onda passar.

O que começa a acontecer então? Nosso país começa a viver uma unidade nunca experimentada antes. Há um despertar da urgente necessidade de adaptação ao isolamento para a preservação da vida diante da ameaça do contágio, da morte e da destruição. Dia após dia, as atividades vão diminuindo, a circulação de pessoas desaparecendo, as ruas tornando-se desertas, a ameaça batendo à porta de todos. Instala-se o medo e a insegurança de forma visível.

E agora, para onde ir? Onde posso encontrar meu lugar seguro?

O Salmo 91 nos ajuda a encontrar um lugar seguro. Debaixo das asas do Pai, estaremos guardados do mal. Ali, encontramos respostas para tempos difíceis, como este que estamos vivendo hoje. Há uma promessa para o povo de Deus. NEle temos nossa esperança.

Portanto, minha conclusão é: que privilégio saber que a minha segurança está no Senhor, Este que fez os céus e a terra, que me formou a Sua imagem e semelhança, que me conhece desde o ventre da minha mãe e que escreveu os meus dias quando nenhum deles ainda havia. Ele conhece o meu pensar e sabe como estou e que sem Ele eu não vou conseguir passar por este deserto.

O Salmo 139 me traz a segurança e a certeza de que o Senhor conhece tudo sobre mim, até mesmo os meus pensamentos. Sendo assim, Ele cuidará de mim.

Meu recado para você que está lendo, mesmo em tempos de guerra é: devemos lembrar que recebemos do SENHOR a alegria da salvação em Jesus Cristo e que como seus seguidores devemos procurar ser sal e luz e levar a esperança aos corações.

Se você estiver preocupado, busque ao Senhor em oração, que Ele cuidará de você.

Segue meu abraço, em nome de Jesus Cristo, nosso Amado Pai.

Música sugerida: Sonda-me, Usa-me (Aline Barros)
https://www.youtube.com/watch?v=MzLBmGf1fSQ

07/40 dias C.A.F.E. | MEU, SEU OU DELE?

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
MEU, SEU OU DELE?
Devocional 07 por André Santos

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem.” (Salmo 24.1)

Texto-base: João 6.1-15

O mundo vive a maior crise dos últimos anos, ou décadas!

São muitas orientações, acompanhadas de muitas dúvidas e inseguranças. Dias difíceis para nossas famílias! Mas talvez o maior desafio para grande parte da população (me incluo nela) tem sido abrir mão de um dos principais direitos fundamentais: a liberdade de ir e vir (devido ao isolamento social).

Temos dificuldades de lidar com o “abrir mão”, principalmente dos nossos direitos. Passamos a vida em busca deles: em nossos relacionamentos, no trabalho, no casamento, e até mesmo em nossa relação com Deus. Quando lemos a história da multiplicação, em João 6:1-15, percebemos vários personagens (Jesus, os discípulos, a multidão e um menino), e, por meio de cada um deles, tiramos uma lição, um aprendizado.

Mas quero falar sobre o menino que estava no meio da multidão, cujo nome nem mesmo é citado na Bíblia, mas foi alguém que, em meio à crise, abriu mão dos seus direitos, assumiu o risco de não comer e entregou tudo o que tinha para abençoar a multidão.

Esse menino não podia imaginar o desfecho, era pouco aos olhos dos discípulos e da multidão, mas o suficiente nas mãos de Jesus! Ele estava disposto a servir, repartir e compartilhar, pois, vendo Jesus amando pessoas, ele entendeu que, assim como o “Pai é Nosso”, o “Pão é nosso”, e, com essa renúncia, ele experimentou o milagre.

Quando abrimos mão dos nossos direitos e cumprimos nosso dever como discípulos de Jesus, experimentamos o milagre. “Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a REPARTIR.” 1 Timóteo 6.18

Repartir não é no meu tempo, “QUANDO EU QUERO”, mas quando o “OUTRO PRECISA”.

Em seu livro, A Última Flecha, o pastor Erwin McManus nos encoraja dizendo: “a maioria de nós sabe que é espiritual orar, mas de algum modo deixamos passar o fato de que tão espiritual quanto orar é agir”.

Estamos isolados, mas não alienados ao que está acontecendo ao nosso redor. Não espere pelo dia em que terá mais recursos para repartir. No auge de uma crise sem perspectivas, há alguém aguardando o milagre, e você pode fazer parte dele. Lembre-se de que tudo vem dEle, e somos apenas mordomos de tudo aquilo que ele tem nos confiado, inclusive o tempo. Use esse tempo para compartilhar amor, fé e esperança!

Deus quer usar a sua igreja nesse tempo, HOJE!

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem.” Salmos 24.1

Pai, que as pessoas enxerguem o Senhor através de nós! Ensina-nos a abrir mão dos nossos direitos, e viver na perspectiva do Reino, e na expectativa do que o Senhor fará em nós, por nós e através de nós em meio a essa crise. Abrimos mão dos nossos direitos para ver o milagre do Senhor.

Música sugerida: Infinitamente Mais (Asaph Borba)
https://www.youtube.com/watch?v=EDp-AKOzI1g

06/40 dias C.A.F.E. | COMPARTILHANDO COM A PRÓXIMA GERAÇÃO

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
COMPARTILHANDO COM A PRÓXIMA GERAÇÃO
Devocional 06 por Michel Santos

“Uma geração contará a outra a grandiosidade dos teus feitos;
eles anunciarão os teus atos poderosos.” (Salmo 145.4)

Texto-base: Salmos 145.3-21

Em meio à crise mundial que se instaurou a partir da disseminação do Covid-19, tudo tem mudado em nossa rotina e cabe a nós, como discípulos do Senhor Jesus, buscar saber o que Ele quer de nós nesse momento, de que forma podemos cumprir nossa missão apesar do distanciamento das pessoas, do trabalho e de nossas atividades.

Olhando para poucos dias atrás, em tempos “normais”, vemos uma sociedade que tem vivido dias onde é “cada um por si”, “esse é o meu pensamento e assim agirei”, ou “trabalho para alcançar os meus objetivos”, ou seja: tempos de individualismo, de pensar em si, nos seus próprios ideais e isso tem, por vezes, alcançado o povo de Deus.

Entretanto o chamado do Senhor para nossas vidas é o de anunciar as boas novas, servir os outros, repartir e fazer conhecida a Sua grandeza, o que vai à contramão daquilo que presenciamos diariamente por onde andamos.

Agora, nos deparamos com uma realidade que não estamos acostumados: precisamos ficar em casa, não podemos mais sair, nem ir em busca daquilo que tanto sonhamos, daquilo que por vezes nos fez passar por cima de tantos valores simplesmente para que alcancemos nosso desejo.

E agora, o que fazer se tudo o que empenhamos nossas forças não podemos mais exercer? Ficar em casa? Parece não haver sentido, mas momentos como esse ressaltam nossa limitação e nos lembram da grandeza do nosso Deus.

Desde que me tornei pai, entendi isso como um grande privilégio e ao mesmo tempo compreendi a minha grande responsabilidade de cuidar e pastorear o coração das nossas filhas, entendendo que Deus me confiou essa grande missão e ela não pode ser transferida.

Em uma sociedade focada em conquistar, em adquirir, em pensar em si, talvez essa missão não seja vista como a mais bela. O que presenciamos é uma grande omissão em cumpri-la, o que tem gerado um distanciamento entre pais e filhos, filhos que não conhecem o Senhor, que acabam buscando em outros lugares a base para as suas escolhas e não tem encontrado um ambiente aberto para abrir suas necessidades.

O Salmo 145:4, fala que uma geração contará a outra geração a grandiosidade dos feitos do Senhor. Mas, se nós pais estamos tão ocupados com nossos afazeres, em conquistar aquilo que almejamos e não compartilhamos os feitos do Senhor, como eles saberão? Onde buscarão sua salvação e esperança para o futuro?

Creio que em meio a toda essa crise, Deus está nos dando a oportunidade de, como pais, voltarmos o olhar para aqueles a quem Ele nos entregou para amar, cuidar e compartilhar os Seus feitos, a compartilhar aquilo que fez em nossas próprias vidas.

Quero encorajar você a aproveitar esse tempo e ser intencional nessa vivência em família, com seus filhos. Peça a Deus criatividade, faça coisas legais com eles, lembre-se de coisas da sua infância e conte a eles, brinque, esteja junto, mas seja intencional em compartilhar coisas profundas do seu coração, das verdades da palavra de Deus e de quem Deus é.

É tempo de sonhar juntos, de dar início há um tempo que talvez nunca houve, mas que precisa ser vivido e trará resultados incríveis.

Essa missão é nossa como pais, ninguém mais fará por nós.

Música sugerida: Família (Daniel Costa)
https://www.youtube.com/watch?v=Rdv6fM3FlC8

05/40 dias C.A.F.E. | CRISE E OPORTUNIDADE

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
CRISE E OPORTUNIDADE CAMINHAM LADO A LADO
Devocional 05 por Marcelo Santos

“Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados,
tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes.” (João 6.11)

Texto-base: João 6.5-12

Desde muito pequeno ouço meu pai falando esta frase: “Crise e oportunidade caminham lado a lado”. Minha visão limitada na época sempre me levava a olhar para ela no aspecto profissional apenas, pensando que em meio a crise eu poderia perceber novas oportunidades de negócios que me ajudariam passar pela crise não apenas deixando de ser atingido por ela, mas também me dando esperança de um futuro melhor para minha família.

Pensando sobre isso em meio a “crise” do covid-19 , mais uma vez lembrei da frase que sempre ouvi de meu pai” Crise e oportunidade caminham lado a lado” , hoje com mais maturidade e com a compreensão de um discípulo de Jesus, a frase veio ao meu coração com um sentido totalmente diferente.

A Bíblia fala que a primeira atitude de Filipe, um dos discípulos que estava com Jesus, foi dizer que o dinheiro que tinham não era suficiente para alimentar aquela multidão faminta. Observe o que Filipe lhe respondeu: “Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebe-se um pedaço.” (João 6:7)

Mas a Bíblia relata a atitude de um outro discípulo chamado André, irmão de Pedro, reconhecidamente um homem de relacionamentos. Naquele momento ele também não tinha uma solução, mas usou suas habilidades de se relacionar com as pessoas e percebeu na multidão um menino que tinha apenas 5 pães e 2 peixes. Também aos olhos humanos muito pouco para solucionar o problema da fome da multidão, mas que nas mãos certas tornou possível o pouco milagrosamente alimentar a multidão.

Quando André e o menino levaram o “pouco” até Jesus, aconteceu a primeira multiplicação dos pães que alimentou, segundo as escrituras, 5.000 homens sem contar crianças e mulheres.

Quem sabe você hoje seja um discípulo que em meio a crise esteja paralisado, querendo comprar tudo que é mantimentos no mercado, acumulando reservas para sua subsistência e não considerando compartilhar com o próximo o pouco que tem.

Mas na crise temos a oportunidade de desenvolver nossa confiança em Deus e nos apresentar a Ele para que nos use como resposta ao clamor de uma população aflita e sem direção em meio ao caos atual.
Se abrirmos nossos olhos veremos muitas necessidades, pessoas com fome, medo, incertezas, solidão e desespero ou quem sabe precisando apenas de um álcool gel.

Assuma seu papel de discípulo de Cristo que compartilha amor, fé e esperança fazendo da sua vida uma glória para Deus.

Música sugerida: Um Chamado – Cinco Pães e Dois Peixinhos (Medley) (KLEV)
https://www.youtube.com/watch?v=grZEiiNJTb4&feature=youtu.be

04/40 dias C.A.F.E. | DEUS GOSTA DE TIRAR ÁGUA DE PEDRA

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
DEUS GOSTA DE TIRAR ÁGUA DE PEDRA, LITERALMENTE
Devocional 04 por Ruben Cavalcanti

“Pegue a vara, e com o seu irmão Arão reúna a comunidade e diante desta fale à rocha, e ela verterá água. Vocês tirarão água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem.” Números 20.8

Existe uma expressão popular – tirar leite ou água de pedra – que, segundo o Google significa “fazer o impossível; em tempos de crise, quando se vive ganhando muito pouco, você conseguir sobreviver e sustentar uma família, por exemplo.”. Essa impossibilidade está relacionada ao fato de que a natureza dos dois elementos, água e pedra, são distintas e, portanto, uma coisa não deveria se originar da outra. No entanto, extrair coisas de diferentes naturezas umas das outras é uma das especialidades do Deus a quem servimos (Jo 2).

Contextualizando ao atual momento, imagine a crise humanitária que o povo de Israel estava sendo submetido ao sair da terra do Egito quando, após um mês no deserto, faltou-lhes o item mais essencial à vida humana biológica: a água. Imagine as crianças chorando, pessoas e animais adoecendo, uma verdadeira catástrofe. O estresse e o pânico tomaram conta de todos a ponto de desejarem retornar à vida de escravidão no Egito (Nm 20.5) ou até mesmo a própria morte (Nm 20.3). Ingratidão e reclamação surgiram no coração do povo e estes ameaçaram apedrejar o próprio Moisés! (Êx 17.4). A Bíblia então relata que “Moisés e Arão saíram de diante da assembleia para a entrada da Tenda do Encontro e se prostraram, rosto em terra, e a glória do Senhor lhes apareceu” (Nm 20.6) e o Senhor disse a Moisés: “Pegue a vara, e com o seu irmão Arão reúna a comunidade e diante desta fale àquela rocha, e ela verterá água. Vocês tirarão água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem” (Nm 20.8).

Apesar de todos os grandes milagres que Deus já havia feito pelo Seu povo, esse duvidou da presença real de Deus, o que a Bíblia define como “colocar Deus à prova” (Êx 17.7). Nesse caso, até mesmo o grande líder Moisés se deixou afetar, pois o contágio emocional em tempos de crise é extremamente “infeccioso”. A Bíblia relata que Moisés não fez exatamente como ordenado por Deus, fazendo um discurso carregado de acusação e orgulho, em oposição à sua típica intercessão nas outras ocorrências de rebeldia. Depois, ele bateu na rocha, quando deveria “falar” à rocha. No entanto, mesmo com essas atitudes, Deus, por sua infinita misericórdia, ainda assim concedeu água ao povo. E, ao final, Deus tratou diretamente com Moisés mostrando a ele que a intenção desse episódio era diferente dos outros, pois o nome do lugar aponta para a ideia de que Deus queria se mostrar “santo” ao atender o pedido do povo, e Moisés entendeu mal esse propósito, ou achou que ele seria alcançado por uma repreensão, e não pela concessão do pedido.

Um dos papéis que nos cabe como igreja em tempos de crise é o de compartilharmos alegria e gratidão. Essa é uma forma de sermos santos (separados) em relação ao modo que normalmente o mundo enxerga e vive a crise: com ingratidão, pânico, medo e desesperança. E não poderia existir na Terra um povo mais capacitado para tal tarefa que nós – igreja – cuja crença e esperança estão depositadas no Deus que “tirou água de pedra”, transformando a morte de Jesus na nossa Salvação Eterna! Se Ele utilizou o nosso pior inimigo para nos salvar, o que fará com a Vida?

Respondendo à pergunta acima, temos muito o que fazer com nossa nova vida em Jesus. Diferente do povo de Israel no deserto, devemos procurar aprender tudo o que Deus está querendo nos ensinar neste momento (o que Deus está falando?), em todos os níveis: como igreja, como nação, como família e como indivíduos. A atual crise aponta para algo muito além dela e Deus tem nos dado a oportunidade de “limpar nossas lentes” removendo barulho, poluição e “coisas extras” que costumamos levar no nosso dia a dia para, no fim, pensarmos no que é o essencial (Cl 3.2). Assim, podemos e devemos compartilhar esse aprendizado na forma de atos de amor, fé, esperança, alegria e gratidão com objetivo de fortalecer a fé dos irmãos e anunciar as boas notícias ao mundo. São muitas as oportunidades que Deus está nos dando nesse momento como:

• Aprender o real significado de que ser igreja não depende de um prédio;
• Retomar ou iniciar a realização de cultos caseiros e das rotinas espirituais;
• Passar mais tempo com a família, reaprendendo a ficar em casa e “esticando” nosso caráter no sentido do “suportar uns aos outros”;
• Chamar a atenção sobre os problemas sociais que nossos irmãos e a sociedade enfrentam;
• Compartilhar cargas (emocionais, físicas, necessidades básicas e financeiras, espirituais, etc.) uns com os outros;
• Usar a capacidade criativa dada por Deus a nós na busca de soluções para problemas do dia a dia;
• Nos chamar a darmos maior atenção aos problemas globais e regionais, bem como aos governantes instituídos por Deus.

Se permitirmos, a pressão da crise vai nos conectar com ainda mais intensidade, e, ao final, só conseguiremos passar por este momento sendo a única Instituição capaz de fazê-la de verdade: a igreja. Como dizia a música: “pare o mundo que eu quero descer!” O fato é que mundo parou e único lugar que você pode descer é aos pés de Jesus! Deus vai continuar tirando água de pedra, e Ele pode fazer isso através de você!

Música sugerida: Êxodo (Projeto Sola)
https://www.youtube.com/watch?v=_Lqhh2dmNBc

03/40 dias C.A.F.E. | UMA AMPULHETA DE CADA VEZ

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
UMA AMPULHETA DE CADA VEZ
Devocional 03 por Pr. Leandro Devincenzi

“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”
Salmos 90:12

Há algumas semanas adotamos a ampulheta para nos auxiliar na dinâmica com as nossas filhas. Quando orientamos a Helena, a Alice e a Ester para alguma atividade de leitura ou de recortar, por exemplo, está ali na mesa, junto, a ampulheta. Temos de diferentes cores e de diferentes tempos. Amarela, vermelha, azul… elas nos ajudam a ver o tempo passar: 10, 30 e 60 minutos.

Tem atividades que as gurias gostam e que nem percebem o tempo passar. Agora tem outras, que já não são tão agradáveis para elas, mas também necessárias para o aprendizado, que elas ficam olhando para a ampulheta e acham que o tempo parou. (Alguém mais se identifica? 😉

À medida que a ficha cai (ou nesse caso a areia), vamos ensinando nossas filhas e também aprendendo que realmente “há tempo para todas as coisas debaixo do céu”, como está escrito na Bíblia em Eclesiastes capítulo 3. Até mesmo o versículo 5 – “há tempo de abraçar e tempo de se conter” – está fazendo sentido numa compreensão que pelo menos eu não tinha assimilado até então.

Nos estudos desta semana aqui em casa, a Cris viu com as meninas um recorte da linha do tempo. Cantaram uma música que fala de acontecimentos no período de 753 a.C. a 612.a.C. – fundação de Roma, a ascensão e a queda dos impérios assírio e babilônico. Acontecimentos reais, com seus desafios reais, mas que hoje, ao estudarmos a história, passamos isso em uma página, afinal, o tempo se vai.

Hoje estamos vivendo a nossa linha do tempo e com ela, um momento dramático. Mas como humanidade já estamos assimilando que um momento dramático, por mais real que seja, não é toda a nossa linha do tempo.

Bons aprendizados tem sido gerados neste tempo. Aquela sensação de “tá corrido hoje” está bem diferente. Por vezes não vemos o tempo passar…boas conversas, seja online ou com quem está contigo, estão acontecendo.

Em contrapartida, em tempo de receios e inseguranças e relatórios diários com números no mundo, no Brasil e no nosso Estado, seja com informações reais ou com as nocivas “fakes”, mais do que nunca se torna vital encontrar descanso para alma e para os pensamentos na companhia do Deus que está acima do tempo. E assim, aprendemos que não precisamos viver, seja tempos bons ou difíceis, por conta própria.

Podemos buscar em Deus a sabedoria para contar os nossos dias. A Bíblia nos revela uma grande verdade. Podemos ser ensinados e Ele é a fonte desta sabedoria! Ele quer nos ensinar. Mas é uma escolha pessoal e intransferível. São várias as alternativas. Posso viver no piloto automático ou “deixar a vida me levar”…

Aqui em casa temos escolhido viver a nossa vida com a orientação de Deus para que a vivamos de acordo com o Seu propósito. Acreditamos que realmente não estamos aqui nesta terra à toa e que sim, sempre há razão e formas para amar. A vida projetada por e em Deus foi feita para ser compartilhada. Se não pelo abraço, neste tempo, usando outras formas. E assim, aprendendo a viver com a sabedoria dada por Deus. Uma ampulheta de cada vez.

Sugestão de música: O Tempo (Oficina G3)

02/40 dias C.A.F.E. | O VIRAL RESTAURADOR

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
O VIRAL RESTAURADOR
Devocional 02 por Pr. Shane Latham

“Em tudo o que fiz, mostrei a vocês que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’.” Atos 20:35

Hoje, no mundo digital, compartilhar significa passar adiante algo que você curtiu; pode ser algo pessoal, uma selfie, uma palavra ou pensamento seu ou de terceiros. Não precisa ser original nem autêntico, basta ser algo com que você deseja ser associado. Nas mídias sociais, uma postagem muito compartilhada se torna “viral”. Entre os materiais mais compartilhados estão:
Fails: vídeos de quedas ou momentos de vergonha;
Roasts: vídeos ou textos que queimam com crítica e sarcasmo;
Desabafos: reclamações e acusações de forma pública para causar constrangimento;
Desafios: pessoas fazendo loucuras dolorosas, nojentas e perigosas para chamar atenção e se tornarem celebradas pela comunidade online.

Interessante o uso da linguagem infectológica ao falar do compartilhar online (viralizar). Chamo esta cultura negativa e fútil, do “viral degenerativo”. É claro que também há muita coisa produtiva, engraçada, inspiradora e educativa, compartilhada simultaneamente, como diamantes espalhados no lixão. Chamo a essa última de “viral restaurador”.

Vivemos hoje a realidade do impacto global de um vírus originado no outro lado do mundo, passando de mão em mão, chegando até nós. Imagine agora como palavras e imagens que passamos adiante também se espalham pelo mundo da mesma forma. Pense! Eu tenho uma voz, conteúdos passam por minhas mãos e sou parte do problema ou da solução. Num mundo onde a rede de relacionamentos online democratizou a transmissão viral, nossos maiores desafios são discernimento e autenticidade. Seja digital ou pessoalmente, examine a qualidade daquilo que você compartilha.

“Tem algum valor restaurador em passar isso para frente?”
“Estou vivendo as virtudes que repasso?”

Lembremos: “multiplicamos o que celebramos”. Os programadores de sites sociais entendem isso pois é só curtir ou compartilhar algo e de repente, conteúdo parecido começa a aparecer no seu mural. Pense nestas três práticas que recomendo aos meus filhos sobre o compartilhar online:

• Só passe adiante coisas que você realmente leu e conferiu a veracidade;
• Pergunte se isso vai edificar no padrão Cl 4:5-6 antes de enviar adiante;
• Compartilhe mais conteúdo pessoal (foto sua, com pensamentos seus) do que de terceiros.
• O compartilhar online é apenas uma manifestação de crenças profundas que revelam seu coração.

Queria hoje levar você a refletir sobre “compartilhar” no sentido “nosso dever e privilégio (online e pessoalmente) de repartir o que temos de bom e autêntico, para derramar graça num mundo em crise.” Pense nestes três princípios do “compartilhar” como valor:

• Você não pode compartilhar algo que você não tem (seja autêntico);
• O compartilhar abre caminho para o receber (seja generoso);
• A mentalidade de abundância gera a atitude de compartilhar (seja grato e contente).

Considere estas resoluções:
• Abandone o compartilhar degenerativo (Leia Colossenses 4.5-6 e converse com alguém de confiança sobre sua cultura de compartilhar online).
• Invista num compartilhar autêntico (Leia Tiago 1.21-25 e converse com alguém de confiança sobre o desafio de viver as virtudes que projetamos).

01/40 dias C.A.F.E. | COMPARTILHE!

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
COMPARTILHE!
Devocional 01 por Pr. Tércio e Martinha

Você algum dia já imaginou que passaríamos por um tempo como esse? Eu confesso que tal realidade jamais passou pela minha cabeça, mas a história nos mostra, e a própria história bíblica, que esse é apenas mais um entre outros tempos terríveis de severa tribulação, de completa corrupção e de grande necessidade de salvação.

Deus compartilhou o Seu Filho com o mundo num momento em que a humanidade estava cada vez mais perdida e distante dEle, fez isso por amor, dando ao mundo a possibilidade de voltar-se a Ele. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

Assim foi no nascimento da Igreja Primitiva, quando Pedro conclamou a que todos aqueles de várias nações, que estavam reunidos em Jerusalém, buscassem se salvar daquela geração corrompida por meio do arrependimento (At 2.38-40). “Pedro respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo. Com muitas outras palavras os advertia e insistia com eles: “Salvem-se desta geração corrompida!” Atos 2.40

Naquele momento surgiu uma nova cultura de amor e cuidado mútuo entre aqueles que se arrependeram e creram em Jesus. Eles compartilhavam o que tinham uns com os outros. “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham.” Atos 4.32

Assim também foi quando, no primeiro século de existência da igreja em Jerusalém, toda aquela nação foi abatida por tempos de grande destruição, perdas e desespero e Deus usou a própria igreja da Ásia menor, que era muito simples e humilde e que viviam numa realidade de extrema pobreza para suprir Jerusalém. O apóstolo Paulo elogiou essa Igreja na Macedônia por tamanha generosidade, pois compartilharam até além do que podiam.

“Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade. Pois dou testemunho de que eles deram tudo quanto podiam e até além do que podiam. Por iniciativa própria eles nos suplicaram insistentemente o privilégio de participar da assistência aos santos. E não somente fizeram o que esperávamos, mas entregaram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor e, depois, a nós, pela vontade de Deus.” 2 Coríntios 8:1-5

Querida igreja,

Esse, porém, é o nosso tempo. Meus pais sempre me disseram que você pode conhecer melhor o que está no seu próprio coração e no coração das pessoas quando passamos por grandes necessidades ou quando chegamos ao poder. Neste caso, estamos vivendo um tempo onde todos que estão “no poder” precisarão admitir que todo poder lhes foi tirado, que todos perdemos o controle que, de fato, nunca tivemos. Deus está soberano exercendo o seu poder, cale-se diante dEle toda a terra. (Salmos 33.8; Habacuque 2.20) Os sábios se dobrarão diante dEle e clamarão por socorro, os tolos O odiarão ainda mais.

Queridos, eu creio que estamos sendo esticados de dentro para fora e para além de nós, estamos entrando num tempo de extremos, onde precisaremos enxergar o nosso coração e permitir Deus direcioná-lo para amar mais, compartilhar mais o que já não compartilhávamos mais, como olhares, ouvidos, tempo, recursos financeiros, sorrisos, orações, bens, compartilhar vida, compartilhar, amor, fé e esperança.

Convido você a continuar olhando para os seus que estão longe de você e não apenas aos que estão próximos. Olhe para os seus parentes que estão passando por necessidade e compartilhe, olhe para os seus vizinhos que podem estar vivendo escassez e compartilhe o que você tem. Esteja atento às oportunidades de compartilhar com seus irmãos em Cristo, seus irmãos da célula ou do CR, ministérios, cursos. Seja criativo.

Aqui em casa, decidimos enviar uma palavra de esperança também a todos os nossos vizinhos do condomínio. Não podemos tocá-los, mas podemos compartilhar uma mensagem de fé, amor e esperança. Por fim, compartilhe Jesus, repetindo o ato de Deus que amou o mundo e compartilhou o melhor que tinha, o Seu Filho para que pudéssemos hoje ter salvação.

Creio que estamos prestes a viver um dos momentos mais difíceis da nossa história mas também de maiores oportunidades de manifestação de amor, de compartilhamento de vida e valores. Estou certo de que se nos entregarmos primeiramente a nós mesmos ao Senhor, nos entregaremos aos outros, compartilhando o amor, a fé e a esperança.

Que a nossa generosidade em compartilhar resulte numa grande colheita espiritual e em ação de graças a Deus.

“Lembrem-se: aquele que semeia pouco também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura também colherá fartamente. Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer que toda a graça lhes seja acrescentada, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra. Como está escrito: “Distribuiu, deu os seus bens aos necessitados; a sua justiça dura para sempre. Aquele que supre a semente ao que semeia e o pão ao que come também lhes suprirá e multiplicará a semente e fará crescer os frutos da sua justiça. Vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a sua generosidade resulte em ação de graças a Deus.” 2 Coríntios 9.6-11