58 Tiago | O QUE É A ORAÇÃO? | Gema Sordi

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A VIDA – Estudos na Epístola de TIAGO
Semana 09 – Enquanto o mundo foca na doença e na escassez,
o povo de Deus foca na confissão e no clamor.

58) O QUE É A ORAÇÃO?
por Gema Sordi, em 29 de junho de 2020

“Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para que vocês sejam curados. A oração feita pelo justo é poderosa e eficaz.” (Tiago 5:16)

Orar é falar com Deus, é verbalizar aquilo que está no coração. Jesus nos ensinou a orar e a oração é essencial na vida de todos.

• Quando devo orar?
• Há um lugar certo para orar?
• Há um modelo a seguir?

Na Bíblia encontramos muitas referências e vamos destacar a passagem encontrada no Evangelho de Mateus 6:6, com orientações do próprio Jesus: “Você, entretanto, quando orar, vá para o quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.”

Podemos dizer que precisamos de “um quarto secreto”, um lugar para passar tempo a sós com Deus, falar o que está no nosso coração, desenvolver maior intimidade com Ele. Um lugar de encontro diário, no qual Ele nos espera sempre pronto para ouvir e para falar conosco.

Porém a oração não se restringe a um lugar específico. Podemos orar durante a rotina diária: caminhando, realizando tarefas, dirigindo ou fazendo qualquer outra atividade. Não importa o lugar: Deus nos ouve em qualquer hora e em todo local. “Orai sem cessar. Em tudo dai graças porque esta é a vontade de Cristo Jesus para convosco.” (1 Tessalonicenses 5:17,18)

Como devo orar? Existe um modelo certo para minha oração? Jesus também nos deixou uma orientação encontrada em Mateus 6:9-13: “Quando vocês orarem, orem assim: “Pai nosso, que está no céu, que o seu nome sempre permaneça santo. Que o seu reino venha a nós. Que a sua vontade seja feita aqui na terra como no céu. Dê-nos hoje o alimento que precisamos. Perdoe os nossos pecados assim como nós perdoamos aos que pecam contra nós. Não nos deixe cair em tentação, mas livre-nos do maligno”.

Devo lembrar que o meu Pai é o Criador de todas as coisas, que Ele é soberano e santo e que primeiro devo adorá-Lo. Em seguida, devo agradecer pelo Seu cuidado, lembrar que sou pecadora, que só Ele pode me perdoar e me ajudar nas minhas fraquezas. Lembrar-me de orar pelos outros, pelas pessoas que me cercam e por suas necessidades também é muito importante, assim como orar por minha Igreja, minha cidade e meu país. Interceder pelas autoridades, para que sejam dirigidas por Deus e tenham sabedoria divina para fazer aquilo que é correto. Por fim, orar pelos meus motivos específicos, minhas necessidades, lembrando-me sempre de agradecer pelas respostas que virão e que serão de acordo com a vontade divina, não com a minha.

No livro de Salmos, encontramos exemplos que nos inspiram a perseverar na oração:
“Peço que me ajude ó Deus, responde o meu pedido, escute-me. Ouça a minha oração.” (Salmo 17:6)
“Senhor, ouça a minha oração, tenha compaixão de mim. Ajuda-me Senhor.” (Salmo 17:6)
“Ouça a minha oração ó Deus, e escute as minhas palavras.” (Salmo 54:2)

Mas e as respostas? Podem ser sim, não ou ainda espere. Qual será a minha reação diante disso? Descansar, tendo a certeza de que Deus é soberano, se importa comigo e sabe o que é melhor para mim, para este tempo, neste momento. Mesmo que esteja em tribulação, em sofrimento, em meio a lutas, diante de injustiças, insegurança, preciso lembrar que Deus comigo está. Ele é o meu refúgio, meu Deus em quem confio. Ele me livrará do laço do passarinheiro, da peste perniciosa (Salmo 91). “Porque o Senhor cuida dos justos e ouve as suas orações. Mas o Senhor está contra aqueles que fazem o mal”. (1 Pedro 3:12)

O que posso esperar de Deus, se eu tiver uma vida de oração, uma vida na dependência Dele? Deus cuidará de mim!

Musica sugerida: Deus cuida de mim (Kleber Lucas)

57 Tiago | COLOQUE O TEMPO DE ORAÇÃO EM SUA AGENDA | Marcelo dos Santos

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Semana 09 – Enquanto o mundo foca na doença e na escassez,
o povo de Deus foca na confissão e no clamor.

57) COLOQUE O TEMPO DE ORAÇÃO EM SUA AGENDA
por Marcelo dos Santos, em 28 de junho de 2020

Certo dia, Pedro e João estavam subindo ao templo na hora da oração, às três horas da tarde.” (Atos 3:1)

Estamos vivendo dias nos quais nossa fragilidade tem sido exposta, nossas limitações estão mais evidentes e precisamos reconhecer que nossa vida, na perspectiva humana, está desgovernada e que, cada vez mais, necessitamos viver na dependência de Deus.

Falando sobre a necessidade de orarmos, o autor Timothy Keller, em seu livro “Oração”, lembra quando ficou claro para ele a lacuna existente em sua vida por negligenciar esse aspecto. Essa falha foi evidenciada na época em que sua esposa lutava contra os efeitos de uma doença e ele havia sido diagnosticado com câncer de tireoide. No exato momento em que viviam esse drama familiar, eles decidiram que teriam a disciplina de orar juntos todas as noites. Ele lembra a fala da esposa: “Imagine que você recebeu um diagnóstico de uma doença letal e o médico lhe deu poucas horas de vida, a menos que tome um determinado remédio todas as noites antes de dormir, você acha que esqueceria de tomar?” Ela completa dizendo que, diante de todas as circunstâncias que estavam vivendo como família, orar era uma questão de sobrevivência.

Olhando para o texto bíblico, lendo o relato do livro e vendo os meus desafios diários, que envolvem casamento, ministério, paternidade e outros gigantes que se levantam diariamente, também concluo que necessito, urgentemente, aprofundar meu relacionamento com Deus por meio da oração.

O texto bíblico fala de dois apóstolos, líderes da igreja primitiva, discípulos de Cristo, que tinham hora marcada para o encontro com Jesus. Em nossos dias, constantemente, estamos sendo consumidos por nossa agenda. Vivemos de maneira independente, nos tornamos senhores do tempo e o melhor dele é dedicado ao trabalho, lazer e prazer; se sobrar algum, oramos e lemos a Bíblia; ou seja, nossos valores estão invertidos.

Precisamos reconhecer que necessitamos de Deus como o ar que respiramos, que a oração é uma disciplina espiritual que todo discípulo de Jesus precisa estar comprometido a praticar. Ela precisa fazer parte da nossa agenda de compromissos diários, não apenas na perspectiva de sobrevivência, e, sim, na busca por um relacionamento integral e íntimo com Aquele que é o autor e consumador da nossa fé.

Música sugerida: Hoje (Gerson Borges)

56 Tiago | SÓ MAIS “UM POUCO” | André Santos

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Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

56) SÓ MAIS “UM POUCO”
por André Santos, em 27 de junho de 2020

“Não sejam como eles, pois seu Pai sabe EXATAMENTE do que vocês precisam antes mesmo de pedirem.” (Mateus 6:8 NVT)

Quando era mais jovem, ainda solteiro, lembro-me de receber alguns conselhos sobre a “importância da estabilidade”. Um deles era que só deveria casar depois de construir uma boa estrutura (formação, carro, casa, etc.), pois assim “garantiria” um lar feliz. Sempre recebi muito bem esses conselhos e ouvia com muito amor e carinho. Mas, quando conheci minha esposa (Michelle), tivemos a certeza de que Deus nos supriria e de que tínhamos o suficiente. Então decidimos nos casar, mesmo sem ter “tudo” que disseram que precisávamos. Graças a Deus, realmente percebemos o cuidado Dele e, em cada detalhe, fomos surpreendidos pelo Seu amor.

Uma das propostas do marketing é transformar o supérfluo em necessidade, gerando consumo e atraindo não somente fisicamente as pessoas, mas especialmente emocionalmente, ao ponto de pensarem que, sem aquele determinado produto ou serviço, é impossível viver. “Pelo necessário, o homem é capaz de matar. Pelo supérfluo, é capaz de morrer”, disse Carlos Lacerda. Sabendo disso, empresas trabalham para ganhar não apenas o autossacrifício do indivíduo, mas o sacrifício de outros por essa nova “necessidade”. Quando você consegue comprar algo para supri-la, surge uma nova versão do produto ou serviço e você volta a esse ciclo de descontentamento. Caso você não consiga, vêm a frustração, a decepção com Deus, com as pessoas e consigo mesmo.

Você pode estar pensando: “Ah, André! Eu não morro e nem mato por nada!” Mas quantas vezes sacrificamos nosso tempo, nossa saúde física e emocional por desejos de coisas que achamos “necessárias”? Por uma falsa necessidade, você pode estar matando o relacionamento com seus filhos, o seu casamento, a sua alma e o propósito pelo qual você foi colocado nesta terra!

O descontentamento e até o medo de sermos rejeitados pelas pessoas certamente nos levará a outros pecados: inveja, ganância, orgulho, desonestidade, murmuração, soberba! O convite de Jesus (Romanos 12:2) é para que não sejamos escravos da cultura deste mundo, mas que tenhamos uma mente renovada e liberta da cultura imposta neste tempo e no tempo vindouro.

Paulo nos ensina o que é uma vida de contentamento, pois ele sabia que Deus era suficiente: “Sei viver na necessidade e também na fartura. Aprendi o segredo de me sentir contente e viver em qualquer situação, de estômago cheio ou vazio, com pouco ou muito. Posso todas as coisas por meio de Cristo, que me dá forças.” (Filipenses 4:12,13 NVT)

Uma boa parte do nosso descontentamento é acharmos que Deus não é suficiente. Somos tomados por um sentimento de que ainda falta “um pouco” para estarmos contentes. São duas palavras simples e pequenas, mas um combustível, que nos incendeia e nos move a ações e decisões que comprometem a nossa história e todo o plano que Deus tem para nós. Perceba que sempre está faltando “um pouco”:

• Preciso trabalhar só mais “um pouco” para ser promovido ….
• Se eu ganhasse “um pouco” mais, poderia casar, ter filho, fazer tantas coisas …
• Se o meu carro fosse “um pouco” mais confortável …
• Minha casa poderia ser “um pouco” maior para receber as pessoas…
• Se Deus me abençoar “um pouco” mais, vou…
A verdade é que esse ciclo não tem fim, esse “um pouco” – quando chega – dura pouco. Nunca seremos supridos por coisas, pessoas ou dinheiro. Quanto mais consumo, mais sou consumido.

Esse “um pouco” do qual precisamos tem nome, tem a terra como apoio para os seus pés (Isaías 66:1-2), Ele é o Criador dos céus e da terra, nada foge do Seu controle. Ele é onipresente e onisciente, Ele é o nosso DEUS! Experimente “um pouco” mais da Sua presença e o contentamento voltará e jamais irá embora! Estamos de passagem nesta terra, temos a perspectiva de uma eternidade sem necessidades, apenas desfrutando da presença dEle e não precisando de mais “UM POUCO” de nada!

Não permita que a voz de Deus seja encoberta por outras vozes e que elas digam o que é uma necessidade para você e sua família. Não estamos aqui apenas para consumir, mas para cumprir uma missão. A palavra de Deus nos orienta-nos sobre o que precisamos: “Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas.” (Mateus 6:33 NVT)

Faça-nos ouvir a Sua voz, ó Deus, mais do que todas as vozes! Amém!

Música sugerida: Tua Palavra – Paulo Cesar Baruk (vídeo com LIBRAS)

55 Tiago | BONS OLHOS | Gabriel Chaw

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Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

55) BONS OLHOS
por Gabriel Chaw, em 26 de junho de 2020

Tiago 5:1-6 fala de pessoas tolas, que dedicaram sua vida a acumular riquezas aqui na terra. A descrição do que aconteceu com essas riquezas é muito parecida com uma parte dos ensinos de Jesus no sermão do monte. Em Mateus 6:19, Ele afirmou: “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam.”

Logo em seguida, Jesus nos presenteou com um texto bastante poético. Os versos 22 e 23 dizem assim: “Os olhos são como uma luz para o corpo: quando os olhos de vocês são bons, todo o seu corpo fica cheio de luz. Porém, se os seus olhos forem maus, o seu corpo ficará cheio de escuridão. Assim, se a luz que está em você virar escuridão, como será terrível essa escuridão! Esses versículos, a princípio, podem parecer um pouco estranhos, mas, na cultura judaica, um bom olho significava uma atitude generosa; um olho mau indicava uma atitude egoísta. Dessa forma, o ensino de Jesus foi altamente significativo no contexto em que foi apresentado.

Não há mal algum na riqueza, mas, sim, na forma como lidamos com ela. A atitude egoísta é que escurece a alma! A riqueza que recebemos não deve ser acumulada, mas deve ser usada em atitudes generosas. Como é bom quando podemos abençoar uma pessoa! Afinal, como Jesus mesmo disse, é melhor dar do que receber (Atos 20:35).

A Bíblia, em inúmeros versos, fala sobre dinheiro. O texto de Mateus 6:22-23 também trata, de certa forma, desse tema. Uma atitude egoísta trará escuridão para o corpo; mais ainda, tornará sua luz em escuridão, uma terrível escuridão! O que corrompe o nosso corpo não é o tesouro em si, mas, sim, o ato de ajuntar o tesouro. Lembre-se de 1 Timóteo 6:10: “…pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos.”

Temos tentado ensinar esses princípios aos nossos filhos. Compartilhar um brinquedo novo ou um doce não parece ser natural para eles. Os dois, inclusive, dividiram a escrivaninha e um não pode colocar seus brinquedos no lado do outro. Podemos tentar justificar essas atitudes falando que isso é coisa de criança e que, quando crescerem, isso vai mudar. Mas decidimos ser pró-ativos e intencionalmente temos chamado-os para presenciarem atos de generosidade. Temos ensinado-os a compartilharem e dividirem as coisas, a terem pequenos atos de altruísmo um com o outro.

O natural do homem caído é sempre pensar em si primeiro. Em minha vida, passei por um grande período de aprendizado. Durante esse tempo, fui realmente muito abençoado e agraciado por Deus, pois, pelo exemplo de pessoas ao meu redor e do próprio Cristo, que fez o ato mais altruísta possível, fui aprendendo a agir com generosidade. Com muita humildade, posso dizer que, aqui em casa, somos hoje uma família que compartilha de forma generosa. Mas, para chegarmos a esse ponto, Deus precisou trabalhar profundamente o meu orgulho e os meus desejos. Ele trabalhou a nossa fé de forma tão forte, que aprendemos a confiar nEle acima de qualquer coisa.

Não canso de ler Mateus 6 e de meditar em seus versículos. É incrível lembrar que nosso Pai Celestial nos ama profundamente, nos vestirá melhor que os lírios do campo e nos alimentará como faz com as aves. Que você possa parar de acumular hoje mesmo e, com generosidade, possa libertar-se das coisas terrenas que o prendem, desfrutando assim da verdadeira riqueza, que está em depender humildemente de Jesus. Isso não é um ato irresponsável de jogar tudo pelos ares, mas, sim, um ato de dependência de Deus, que permitirá que você seja luz onde quer que esteja. Cultive o “olho bom”, que é a generosidade segundo o coração de Deus!

Musica Sugerida: Você Pode Ter (João Alexandre)

54 Tiago | QUANTO CUSTAM MEUS TESOUROS? | Marcio Pisoni

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Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

54) QUANTO CUSTAM MEUS TESOUROS?
por Marcio Pisoni, em 25 de junho de 2020

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6:19-21)

Cresci em um bairro de periferia, numa Cohab no interior do Rio Grande do Sul. E, desde muito pequeno, escutava uma frase que marcou e influenciou minha visão de mundo e de vida por muito tempo: “Todo mundo tem um preço!”

Quando via a molecada com tênis novos, a primeira coisa que pensava era quanto teriam custado. Um carrão passando na avenida chamava minha atenção, pois devia ter sido muito caro. Roupas de marca, carros de luxo e cordão de ouro no pescoço representavam, em minha mente, a imagem de um homem de sucesso. Por muitos anos da minha vida, em meu coração, preço e valor estavam associados e eram representados pela mesma coisa: dinheiro!

Conforme fui crescendo, dentro de mim um anseio ecoava cada vez mais alto e cada vez mais sufocava meu coração e meu entendimento. Acreditava que, se conseguisse me vestir com roupas de grife, ter um motorista e um relógio de ouro receberia algum alívio na minha alma e poderia desfrutar da sensação de ter “vencido na vida”, de ter “chegado lá” e assim viver “em paz” e “ser feliz”.

Hoje posso perceber, com imensa gratidão, a profunda mudança de percepção que Cristo Jesus operou em mim e na minha família, quando entregamos nosso coração e nossa vida a Ele. Começamos a desfrutar de coisas que eram de uma monumental simplicidade e que antes nos passavam despercebidas. Começamos a perceber que, nesses momentos, algo muito especial nos envolvia e que ali havia riquezas especiais nunca experimentadas antes.

Aos poucos, fui compreendendo a existência de valores morais e éticos inegociáveis; fui entendendo a diferença entre aquilo que verdadeiramente é de valor e o preço monetário de algo.

Muitos anos se passaram desde então, e o que tenho aprendido, a cada dia, é que minha preocupação e meu foco não devem se concentrar naquilo que está no âmbito do preço monetário, naquilo que alguém pode roubar ou levar embora a qualquer momento. Contudo, meu olhar e meu esforço precisam estar nas coisas que ninguém pode tirar de mim.

Óbvio que precisamos, no final do mês, do dinheiro para pagar nossas contas: prestação do carro, moradia, escola, lazer, alimentação, etc. Porém um desastre natural, como um terremoto ou uma enchente, por exemplo, pode destruir residências, levar embora carros, desmoronar escolas. Por outro lado, um terremoto ou uma enchente não têm poder para tirar minha fé ou para levar meus princípios, tampouco podem soterrar meus valores morais e meu senso de propósito de vida.

Enquanto escrevo isto, penso que esta é uma valiosa oportunidade para refletirmos acerca da natureza das riquezas que temos acumulado: terrenas e monetárias ou eternas e celestiais? A Bíblia nos revela, em Mateus 6:21, que onde estão minhas riquezas e tesouros, ali também está meu coração. Se nossos investimentos estiverem naquilo que o dinheiro NÃO pode comprar, teremos a oportunidade de deixar um legado para as próximas gerações. Se o que temos acumulado forem apenas “tesouros” monetários, há grandes chances de que as próximas gerações sequer lembrem-se do esforço ou das abnegações necessárias para acumulá-los. Invista tudo o que você é e o que você tem nas mãos naquilo que é eterno!
Existe um banco que se chama Eternidade e é lá que realmente os rendimentos são reais e que todo o esforço vale a pena! Lá todo juro e toda dívida já foram pagos! O próprio Deus, em Seu Filho Jesus, pagou, para que você pudesse receber liberdade de seus pecados e vida eterna! (João 3:16)

Pode ser que você esteja se perguntando: “como faço para investir nesse Banco?” Primeiro passo: entregue seu coração a Jesus. Segundo passo: confie Nele. Terceiro passo: busque os conselhos Dele em Sua Palavra. Quarto passo: obedeça ao que Ele disser. Dele você receberá: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Não são essas as coisas das quais, afinal de contas, sempre corremos atrás? (Gálatas 5:22-23).

Música sugerida: Tesouro (Betty Souza)

53 Tiago | A MAIOR RIQUEZA, A MAIOR FORTUNA! | Raul Villanueva

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Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

53) A MAIOR RIQUEZA, A MAIOR FORTUNA!
por Raul Villanueva em 24 de junho de 2020

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6:19-21)

Você conhece minha história, você também sabe como ela termina. Vivi como se nunca fosse morrer e morri quando menos esperava. Comecei minha empresa como todos começam: empreendendo. Não precisei de ninguém para construir meu império. Na verdade, nunca precisei de ninguém para construir nada: eu mesmo lavrei meu futuro.

Trabalhava mais de 12 horas por dia, pois sabia que, se me esforçasse o suficiente, meu negócio teria sucesso. Por outro lado, as pessoas sempre reclamavam que eu não tinha tempo para elas. Será que não se dão conta de que o trabalho é importante? Que dependo dele para pagar as contas de luz, telefone, a prestação da casa? Será que não sabem que disso depende meu futuro? Sobretudo neste tempo tão difícil que estamos vivendo. Odeio ter que contar os centavos para poder chegar ao final de mês e por isso fiz o que fiz. O tempo é ouro e, enquanto outros o perdem, eu o invisto naquilo que sei que dará certo: meu negócio!

Nos primeiros três anos de operações, consegui recuperar meu investimento, aluguei um espaço maior e contratei mais empregados. No sexto ano, rentabilizamos toda nossa produção. O sétimo ano foi o que mudou absolutamente tudo. Não saberia explicar o que aconteceu exatamente, mas gosto de pensar que eu estava no lugar certo, na hora certa, com o negócio certo. Nesse ano, o setor agrícola, no qual nos desenvolvíamos, elevou seus níveis de produção de forma inesperada. Nem em meus melhores sonhos pensei que seríamos capazes de produzir tanto. Sabia que essa era uma oportunidade de ouro. Enquanto outros setores da economia estavam passando por seu pior momento por causa de um estranho vírus, minha empresa produzia e vendia mais e mais. Este era o meu momento, aquele que sempre esperei. O melhor momento de uma empresa é quando ela começa a crescer.

Aproveitei a recessão para comprar a concorrência. Para que competir se você pode comprar seus concorrentes? Contratei os melhores arquitetos e construtores e, em menos de 6 meses, estava inaugurando as novas sucursais. Fui chamado pelas mídias sociais como “o grande milagre da produção agrícola”. Meu nome aparecia em todos os jornais especializados e recebi ofertas de editoras que queriam publicar minha biografia. O mundo estava aos meus pés. Que mais pode um homem pedir à vida? Tinha tudo aquilo que todos desejavam. Só restava descansar, comer, beber e alegrar-me.

Vivi como se nunca fosse morrer e morri quando menos esperava. Nesse dia aprendi uma grande lição: “A vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens.” (Lucas 12:15). “Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?” (Lucas 12:20)

Todos conhecemos a parábola do rico insensato. Ela nos mostra que muitas vezes vivemos como se nunca fôssemos morrer. Revela que é errado pensarmos que nosso futuro depende de nós e que a felicidade é incompatível com o egoísmo, essa ação insensata de viver para si mesmo. Temos ansiedade de não termos o suficiente e desejamos sempre ter mais. Temos o medo de perder tudo e, ao mesmo tempo, a insatisfação de não alcançarmos o que queremos. Ganhamos e perdemos; gastamos e guardamos. Sempre queremos mais, nunca é suficiente. O problema não é o dinheiro, o problema é nossa insatisfação.

Como devemos viver então? Que devemos fazer para não cometermos o mesmo erro do rico insensato? Jesus nos dá a resposta ao final da parábola: temos que ser ricos para com Deus (Lucas 12:21). Nele temos a maior riqueza: a vida eterna. Nele encontramos a maior fortuna: Sua graça. Que a nossa riqueza esteja no céu.

Música sugerida: Dinheiro não é tudo (Régis Danese)

52 Tiago | PIEDADE COM CONTENTAMENTO | Lucas Bair

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Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

52) PIEDADE COM CONTENTAMENTO
por LUCAS BAIR em 23 de junho de 2020

“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro.”
(1 Timóteo 6:6)

“Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele.” (1 João 2:4) Que forte! Conhecer Jesus é obedecer os mandamentos dEle, entretanto é fácil acreditar nEle, frequentar uma igreja e não conhecer os ensinamentos de Jesus. No seu ministério terreno, Ele passou o tempo ensinando tanto os discípulos quanto as multidões. O Novo Testamento é baseado nos Seus ensinos. Para segui-Lo, precisamos conhece-los e obedecê-los.

Sabe qual assunto Jesus dedicou mais tempo para ensinar? Pode pensar em amor, céu, salvação ou julgamento, mas o assunto mais ensinado por Jesus foi dinheiro. Interessante, não é? Dinheiro é fundamental para nossa existência e a mordomia dele revela as profundas partes de nossos corações. Jesus disse: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6:19-21)

A última frase é significante. Nosso dinheiro, tesouro, atrai nosso coração, atrai nossa adoração. Se eu investir meu dinheiro nas coisas de Deus, vou adorar a Deus, mas se eu investir nas coisas do mundo, vou adorar o mundo. A adoração do mundo, ou seja, de qualquer coisa fora de Deus, é idolatria e o caminho da destruição. Faz sentido que Jesus tenha passado tanto tempo ensinando sobre dinheiro.

O apóstolo Paulo pegou esse ensino e amplificou em 1 Timóteo 6: 9-10: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.”

Que palavras fortes que precisamos levar para o coração. Como lidar com dinheiro? Como o dinheiro pode nos servir em vez de nos escravizar? Nessa mesma passagem – em 1 Timóteo 6 -, Paulo nos dá uma resposta. O versículo 6 diz: “De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro.”

Piedade com contentamento é o segredo. É uma frase muito profunda. Piedade com contentamento tem algo a ver com satisfação, ou seja, o entendimento de onde ela vem. A busca por satisfação geralmente fica no centro dos motivos de tudo que fazemos. Nós sempre estamos buscando-a. Geralmente corremos atrás de dinheiro porque queremos satisfação. E quando não achamos satisfação, corremos atrás da próxima. É uma busca que não tem fim.

Eu lembro a primeira vez que experimentei essa “satisfação” do mundo que só traz decepção. Quando era adolescente, joguei um esporte chamado paintball. É um esporte que tem armas que atiram bolinhas de tinta e simula uma guerra. Naquela época, eu queria comprar minha própria arma de paintball; porém não seria uma arma normal, seria a melhor que existia no momento. Todo dia eu sonhava com ela. O problema é que era muito cara, então comecei a guardar dinheiro. Trabalhei e também fiz coisas menos honestas para ganhar mais recursos. A arma, a busca por ela, virou meu deus, pois adorei essa arma e foquei tudo para comprá-la. A busca por dinheiro tornou-se minha prioridade.

Finalmente chegou o dia de comprar a arma. O meu sonho estava se realizando. Dei para o vendedor o dinheiro e abri a caixa da minha arma nova. Sabe o que aconteceu? Nada. Tudo que eu queria estava nas minhas mãos, mas eu não senti a profunda satisfação que eu estava procurando. Eu pensei: “É só isso? Eu dediquei minha vida para comprar essa arma e imaginei que me sentiria diferente, melhor com ela nas minhas mãos.” Foi a primeira vez que senti a decepção da satisfação falsa do mundo.

Mas o ciclo continuou. Comecei a buscar a próxima coisa que prometeu me satisfazer, mas o mundo mente para nós. O mundo não tem capacidade de satisfazer a sede dos nossos corações. Existe somente uma fonte de satisfação verdadeira. Como Jesus disse para a mulher no poço, em João 4:13-14: “Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.”

Há uma fonte que pode satisfazer nossos corações: é Jesus. Enquanto não entendermos e experimentarmos essa verdade, sempre correremos atrás do dinheiro e dos prazeres que ele pode comprar. Como quebrar essa busca em vão? Piedade com contentamento. Beba da fonte, que é Jesus. Busque a Ele. Desenvolva seu relacionamento com Ele. Ore. Adore. Invista nas coisas de Jesus. Simplifique a sua vida e venha para a fonte da água viva.

Música sugerida: Atos 2 (Gabriela Rocha)

51 Tiago | APENAS UM PAR DE SANDÁLIAS | André Delgado

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Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

51) APENAS UM PAR DE SANDÁLIAS
por André Delgado, em 22 de junho de 2020

“A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas.”
(Tiago 5:2)

Em 2015 foi registrada a segunda maior enchente da história do Rio Grande do Sul. Era uma terça-feira. Após a reunião da equipe pastoral, o Pr. Márcio me pediu ajuda para levarmos uma cesta básica para uma família que estava necessitada em meio àquela situação. Saímos do prédio da igreja no final da manhã. Enquanto nos deslocávamos em direção à Ilha das Flores, lembro-me da paisagem caótica. Eram muitas residências submersas pela água. Na ocasião, não houve perdas apenas dos mais necessitados. As mansões, com seus decks para as águas do arquipélago, também foram arrasadas pela enchente. Ricos e pobres vivendo a mesma experiência.

A situação da família que fomos atender era a seguinte: o pai, provedor do lar, havia perdido seu emprego por conta da crise econômica e política que o Brasil vivia. Com a esperança de conseguir recursos para sua família, ele aceitou trabalhar em uma cidade do litoral. E como saiu sem nada, também não deixou nada para a família. Aquela mulher estava aguardando alimento para si e seus filhos. Eram 4 crianças: um bebê, uma criança de 3 anos e mais dois em idade escolar. Quando chegamos lá, já passava do meio-dia. Estávamos ali conversando e ministrando uma palavra de esperança para aquela mulher. Ela segurava o bebê no colo.

Enquanto o Márcio falava, as crianças chegaram da escola. Estavam famintas. O garoto olhou para a cesta básica e enxergou um pacote de bolacha água e sal. Então pediu para a mãe se poderia abrir. Ao autorizar, ela olhou para nós e disse que a escola não estava fornecendo a merenda escolar, que o governo não havia liberado os recursos para as escolas. Naquele momento, meu coração encheu-se de ira e indignação contra o governo em exercício. Comecei a pensar nos bilhões desviados por corrupção. Pensei nos que erguiam sua fortuna com o dinheiro da merenda escolar. Fiquei irado e com vontade de chorar.

Enquanto eu tentava administrar minhas emoções, senti o Espírito Santo me acalmando. Ele disse-me: “nunca foi sobre política, mas sobre a ganância do homem.” Fiquei pensando sobre o que Deus estava me falando. Neste mundo sempre haverá ricos e pobres. E na condição de ambos, sempre haverá aqueles que desprezam o próximo, que não conseguem partilhar sua vida e muito menos os seus recursos. Enfatizo: sejam eles ricos ou pobres.

Deus te dá sabedoria para conquistar. Mas, quando os recursos não são compartilhados, eles começam a apodrecer. Tiago 5:2 menciona que as traças corroem as roupas. Uma das principais formas de demonstrar riqueza nos tempos antigos era ter belas roupas. Mas qual o benefício de usar belas roupas, se não o de usá-las por um breve período e depois compartilhar? Porque, mais cedo ou mais tarde, as traças chegarão às roupas de todos. A ferrugem chegará a sua prata ou seu ouro. E de que adiantou tudo isso? Não se trata apenas de riqueza, ouro, prata e roupas, mas nosso coração também pode apodrecer e ser devorado. A avareza te deixará irreconhecivelmente pobre em teu íntimo.

Não permitas que isso aconteça. Compartilha a tua vida e os teus recursos. A paciência no Senhor nos fortalece. Aquela mulher e seus filhos foram fortalecidos espiritualmente e fisicamente. Ela esperou no Senhor. Não deposites teu coração nas riquezas deste mundo. Sê paciente, espera no Senhor e tu terás o que precisas no tempo oportuno. Afinal, quantos pares de sandálias tu achas que Jesus tinha?

Música sugerida: Palácios (Paulo César Baruk)

50 Tiago | USUFRUIR SEM POSSUIR | Roberto Rodrigues

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A VIDA – Estudos na Epístola de TIAGO
Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

50) USUFRUIR SEM POSSUIR
por Roberto Rodrigues, em 21 de junho de 2020

“Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: “Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!”

Texto-base: Marcos 10:17-25

Assim como eu, talvez você já tenha precisado alugar um carro, se hospedar em hotel ou usar um transporte por aplicativo. As empresas nos proporcionam um serviço que “usufruímos sem possuir”. Desfrutamos de todas as comodidades que elas nos oferecem mas, ao final, não somos os proprietários dos bens que utilizamos. Esse conceito é tão antigo que me lembra muito os ensinos de Jesus.

Ao ler os Evangelhos, percebemos os esforços dos autores para deixar claro que o antagonista de Jesus não é – ao contrário do que podemos pensar – Judas, o traidor. Antagonista é aquele que se contrapõe, que se coloca no caminho e exerce influência, e a traição de Judas não deixa marcas na autonomia de Jesus. Pela mesma razão, o antagonista de Jesus não está entre adversários que não chegam a tocá-lo ou derrubá-lo – figuras como Pilatos, os fariseus, os sacerdotes ou mesmo Satanás.

Pelas diversas tramas dos evangelhos, o antagonista de Jesus é identificado como o deus Mamom ou o dinheiro, como o conhecemos atualmente. De todos que em algum momento se opõem a Jesus querendo exercer alguma influência, o dinheiro é o único que representa um caminho paralelo a ser seguido, uma alternativa ao estilo de vida e ao discipulado que Jesus está propondo. O homem do nosso texto-base cumpria toda a lei moral de Deus. Entretanto, quando Jesus foi mais fundo para checar a quem o coração dele estava realmente inclinado, o homem optou por escolher o dinheiro ao invés da jornada com Cristo.

Jesus, que deixava claro não ter salário e nem casa própria, usava o dinheiro e as riquezas para ilustrar suas comparações mais fortes. Por um lado, não há como ignorar que sua postura é crítica à obsessão pelo acúmulo de bens materiais; por outro, fica claro que Ele não ignora que a riqueza é a metáfora mais adequada para o que Ele está querendo dizer. Jesus alerta que o tesouro de um homem e seu coração ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo, e que por isso vale mais a pena investir num tesouro no céu, onde a riqueza é imune a desvalorização. A recompensa do Reino é comparada ao perdão de uma dívida quitada e as responsabilidades do Reino a talentos de ouro. A vida encontrada em Deus é comparável à moeda que foi recuperada e à ovelha que se reencontrou. Ele compara o Reino de Deus ao tesouro enterrado em que alguém tropeçou ou à pérola valiosa que um colecionador vendeu tudo que tinha para adquirir. O tesouro que por um lado vale todo investimento, por outro, o requer.

Para Jesus, correr atrás do material de maneira desenfreada nos impede de desfrutá-lo. Ele nos convida a um desapego dos bens materiais e a uma satisfação em desfrutar do que o material existe para oferecer. Essa postura não significa abrir mão do trabalho ou do dinheiro, pois Jesus convivia sem problemas com ambos. Entretanto, significa abrir mão daquilo que o dinheiro promete oferecer: segurança e poder. Para os autores dos evangelhos, a ganância é idolatria porque é mentirosa: promete segurança e poder quando ambos são derramados sem qualquer pré-requisito por Deus; e porque promete embalar e entregar, a um alto preço, aquilo que Deus dá de graça no pacote básico da vida. O mundo de Jesus é seguro não porque os meus cofres e celeiros estão cheios, mas porque Deus é Pai. Entender e viver esses princípios não é condenar os ricos ou evitá-los; tampouco é condenar a riqueza ou evitá-la; mas com certeza é não acreditar na promessa que ela oferece.

Jesus nos ensina que precisamos usufruir sem possuir e aprender com Ele a sermos bons mordomos dos recursos. Não podemos viver para a riqueza e, ao mesmo tempo, não ignorar o dinheiro, pois ele não é um elemento neutro. Necessitamos usar as riquezas a fim de fazer verdadeiros amigos (Lucas 16:9) e abençoar os desfavorecidos. Devemos usar o dinheiro sem sermos usados por ele; aproveitar o material sem sermos escravizados por ele. Precisamos ser generosos como Deus e pobres como Jesus. Dar a César a ninharia que é de César e receber de Deus a abundância que é de Deus.

Música sugerida: Vaidade (Heloísa Rosa)

49 Tiago | SE ELE QUISER E COMO ELE QUISER | Carla dos Santos

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A VIDA – Estudos na Epístola de TIAGO
Semana 07 – Enquanto planos passageiros nos desapontam,
a dependência em Deus nos liberta.

49) SE ELE QUISER E COMO ELE QUISER
por Carla dos Santos, em 20 de junho de 2020

“Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida?…”
(Tiago 4:14)

Este versículo traz uma mensagem que tem grande significado na minha vida. Consigo até mesmo sorrir quando o leio e, acredite, não com aquele sorriso cheio de medo e desconfiança, mas com um sorriso acompanhado de um suspiro profundo que me lembra de que estou diante de um Deus grande, no qual posso confiar.

Para aqueles que não me conhecem, uma das minhas características é que amo planejar! Planejar me anima e me motiva! Planejar a festa de natal em família, os estudos da semana, para onde ir nas próximas férias, como será meu aniversário e até no que meu esposo deve investir sua energia de trabalho no dia de hoje (me esqueci de falar que eu também amo planejar pelo meu esposo). Eu amo acordar de manhã com um plano para executar!
Durante muito tempo, investi planejando minha jornada profissional, familiar e como serviria a Cristo onde me colocasse. Sempre foi um valor servir ao Senhor. Confesso que hoje, ao olhar para os meus planos do passado, eles me pareciam muito bons. Serviria ao Senhor no ministério com o qual eu mais me identifico, cuidaria da família e seguiria meu planejamento profissional (com muitas etapas).

Mas os planos dEle para minha jornada nesta terra eram um pouco diferentes dos meus, em várias áreas sobre as quais eu não teria tempo de falar aqui. Ele sabia que eu seria uma ótima profissional na minha área, que me esforçaria e que não me importaria de dedicar muito tempo ao trabalho.

No entanto Ele queria que eu investisse essas horas e toda essa garra na minha própria casa, fazendo dela um lugar seguro e cheio de vida. Ele sabia que eu O serviria em uma igreja local todos os dias, cumprindo os horários e as regras. Contudo Ele planejou que eu deveria servi-Lo ao lado do meu marido, sendo ele um pastor (também não planejado), apoiando-o, chorando e sorrindo com ele diante de desafios enormes nas áreas para as quais Ele nos direcionasse. Confesso que tudo isso não chegou tão bem ao meu coração como pode parecer para quem lê este texto. Houve dias em que duvidei que a vontade dEle para minha vida fosse a melhor, desconfiei do Seu amor, bati o pé e até fiz birra.

Anos atrás, indo de carro para o trabalho, debaixo de uma forte chuva, chorei muito. Peguei versículos que conhecia de cor, como Provérbios 16:1, Romanos 12:2 e ainda Tiago 4:15, e decidi honrá-los e vivê-los, por mais improváveis e absurdos que parecessem para mim diante do que Ele estava me impulsionando a fazer. E, desde esse dia, tenho muito temor em conhecer a vontade dEle e um desejo profundo de viver os Seus planos, quer sejam como eu planejei ou não.

Assim como eu, talvez você já tivesse muitos planos para 2020. Quem sabe planejou para este ano dar um impulso na sua empresa, fazer uma viagem incrível com sua família, iniciar sua faculdade, comprar a casa dos sonhos e, então, se deparou com o quadro atual, que trouxe consigo uma mudança radical no mundo e nos seus planos. E diante de tudo isso, o Senhor tem convidado você a “mudar a rota”. Ele tem te chamado a abençoar pessoas financeiramente, a mudar o curso da faculdade que pensou fazer, a abrir mão de algo para cuidar da sua família de uma forma diferente da que você faria, a servi-Lo de outro modo. Pode ser que o projeto dEle para o seu ‘hoje’ esteja na contramão da realidade na qual estamos vivendo. Nesse sentido, compartilho um pouco da minha história para encorajá-lo.

Eu ainda amo planejar! Mas agora percebo mais flexibilidade e humildade na minha jornada como discípula. Já não desconfio do Seu amor por mim, pois, desde aquele dia de chuva forte, Ele tem me cuidado de um jeito melhor do que eu poderia fazer. Tem me surpreendido em detalhes e ainda mudou meu olhar. Servi-Lo como Ele quer é o maior privilégio.

Arrisque, confie e deixe-O ser o seu Senhor hoje, pois Ele conhece os planos que tem para nós, planos de fazer-nos prosperar e não de causar dano, planos de dar a nós esperança e um futuro.

Música sugerida: Até que nada mais importe (Paulo César Baruk)