50 Tiago | USUFRUIR SEM POSSUIR | Roberto Rodrigues

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A VIDA – Estudos na Epístola de TIAGO
Semana 08 – Enquanto a confiança em riquezas nos apodrece,
a paciência no Senhor nos fortalece.

50) USUFRUIR SEM POSSUIR
por Roberto Rodrigues, em 21 de junho de 2020

“Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: “Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!”

Texto-base: Marcos 10:17-25

Assim como eu, talvez você já tenha precisado alugar um carro, se hospedar em hotel ou usar um transporte por aplicativo. As empresas nos proporcionam um serviço que “usufruímos sem possuir”. Desfrutamos de todas as comodidades que elas nos oferecem mas, ao final, não somos os proprietários dos bens que utilizamos. Esse conceito é tão antigo que me lembra muito os ensinos de Jesus.

Ao ler os Evangelhos, percebemos os esforços dos autores para deixar claro que o antagonista de Jesus não é – ao contrário do que podemos pensar – Judas, o traidor. Antagonista é aquele que se contrapõe, que se coloca no caminho e exerce influência, e a traição de Judas não deixa marcas na autonomia de Jesus. Pela mesma razão, o antagonista de Jesus não está entre adversários que não chegam a tocá-lo ou derrubá-lo – figuras como Pilatos, os fariseus, os sacerdotes ou mesmo Satanás.

Pelas diversas tramas dos evangelhos, o antagonista de Jesus é identificado como o deus Mamom ou o dinheiro, como o conhecemos atualmente. De todos que em algum momento se opõem a Jesus querendo exercer alguma influência, o dinheiro é o único que representa um caminho paralelo a ser seguido, uma alternativa ao estilo de vida e ao discipulado que Jesus está propondo. O homem do nosso texto-base cumpria toda a lei moral de Deus. Entretanto, quando Jesus foi mais fundo para checar a quem o coração dele estava realmente inclinado, o homem optou por escolher o dinheiro ao invés da jornada com Cristo.

Jesus, que deixava claro não ter salário e nem casa própria, usava o dinheiro e as riquezas para ilustrar suas comparações mais fortes. Por um lado, não há como ignorar que sua postura é crítica à obsessão pelo acúmulo de bens materiais; por outro, fica claro que Ele não ignora que a riqueza é a metáfora mais adequada para o que Ele está querendo dizer. Jesus alerta que o tesouro de um homem e seu coração ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo, e que por isso vale mais a pena investir num tesouro no céu, onde a riqueza é imune a desvalorização. A recompensa do Reino é comparada ao perdão de uma dívida quitada e as responsabilidades do Reino a talentos de ouro. A vida encontrada em Deus é comparável à moeda que foi recuperada e à ovelha que se reencontrou. Ele compara o Reino de Deus ao tesouro enterrado em que alguém tropeçou ou à pérola valiosa que um colecionador vendeu tudo que tinha para adquirir. O tesouro que por um lado vale todo investimento, por outro, o requer.

Para Jesus, correr atrás do material de maneira desenfreada nos impede de desfrutá-lo. Ele nos convida a um desapego dos bens materiais e a uma satisfação em desfrutar do que o material existe para oferecer. Essa postura não significa abrir mão do trabalho ou do dinheiro, pois Jesus convivia sem problemas com ambos. Entretanto, significa abrir mão daquilo que o dinheiro promete oferecer: segurança e poder. Para os autores dos evangelhos, a ganância é idolatria porque é mentirosa: promete segurança e poder quando ambos são derramados sem qualquer pré-requisito por Deus; e porque promete embalar e entregar, a um alto preço, aquilo que Deus dá de graça no pacote básico da vida. O mundo de Jesus é seguro não porque os meus cofres e celeiros estão cheios, mas porque Deus é Pai. Entender e viver esses princípios não é condenar os ricos ou evitá-los; tampouco é condenar a riqueza ou evitá-la; mas com certeza é não acreditar na promessa que ela oferece.

Jesus nos ensina que precisamos usufruir sem possuir e aprender com Ele a sermos bons mordomos dos recursos. Não podemos viver para a riqueza e, ao mesmo tempo, não ignorar o dinheiro, pois ele não é um elemento neutro. Necessitamos usar as riquezas a fim de fazer verdadeiros amigos (Lucas 16:9) e abençoar os desfavorecidos. Devemos usar o dinheiro sem sermos usados por ele; aproveitar o material sem sermos escravizados por ele. Precisamos ser generosos como Deus e pobres como Jesus. Dar a César a ninharia que é de César e receber de Deus a abundância que é de Deus.

Música sugerida: Vaidade (Heloísa Rosa)

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