Móbile #17 | Shane e Michele | 27.09.20

Satanás Treme Quando Oramos

      “Satanás só teme a oração. Sua única preocupação é impedir os santos de orar. Ele não teme nada de estudos sem oração, trabalho sem oração, religião sem oração. Ele ri de nosso trabalho, zomba de nossa sabedoria, mas treme quando oramos.”  Samuel Chadwick

      Enfrentei a primeira batalha de confronto espiritual cinco anos após minha consagração, quando todos esperavam de mim autoridade espiritual para uma resolução do problema. Naquela semana, uma tempestade havia destruído parte do telhado do nosso prédio, o que resultou em uma inundação. Além disso, o marido de uma das nossas líderes ficou desaparecido por três dias e foi encontrado agindo e falando de forma estranha.

      Marcamos nossa primeira vigília para as 20 h. Vigílias e jejum não faziam parte da minha cultura cristã de origem e, sem estes dois hábitos indispensáveis para a vitória no mundo espiritual, estávamos plantando uma igreja em um bairro com muitas casas de religião de matriz africana, terreiros de umbanda e candomblé.

      Às 15 h me chamaram na casa do homem que havia desaparecido, pois ele estava em transe, murmurando agressões e relatando que via seu irmão falecido no canto da sala. A família sugeriu chamar uma ambulância para sedá-lo. Em minha fragilidade espiritual, confesso que, por um breve momento, até considerei esta opção, com temor de ser envergonhado pelos demônios, a exemplo dos filhos de Ceva, conforme relatado em At 19:15, NVI: “Um dia, o espírito maligno lhes respondeu: “Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são? ”

      A batalha durou quase três horas, culminando num final milagroso. Ele sentou-se curvado no sofá, os braços torcidos atrás das costas, saliva e coriza fluindo de um rosto contorcido em um sorriso macabro. Enquanto orávamos, num momento de clareza mental, chorando, ele clamou o nome de Jesus na seguinte oração: “Jesus, perdoe-me. Entre em mim. Jesus, salve-me!” A libertação foi instantânea. Seus braços deslizaram para frente, sua cabeça ergueu-se, seu sorriso e sua voz voltaram ao natural e ele falou: “Tem algo para comer? Estou com fome.”

      Naquele tempo, eu vivia uma montanha russa espiritual. Minha autoridade era marcada por frequentes quedas e arrependimentos na área da pornografia. Durante a intervenção, ele se inclinou perto do meu rosto e, sussurrando com uma voz alterada, seu rosto contorcido naquele sorriso agressivo, disse: “Eu sei quem você é, você é Shane, Shane.”

      Não apenas existem demônios (espíritos imundos e rebeldes) como eles também nos conhecem, sabem das nossas fragilidades e querem nos destruir. Daquele dia em diante, minha vida de oração mudou e continua crescendo vinte anos depois. Quando acordo para a realidade do mundo espiritual eu me consagro, meu orgulho é vencido e minha necessidade de intimidade com Jesus se evidencia.

      A sensação que tive foi a mesma de alguém que teve a carteira e celular roubados por criminosos perigosos, que agora sabem quem é minha família e onde moro. Um inimigo de quem não consigo me esconder. A paranoia é imediata e só superada pela igual certeza de que Deus também sabe meu nome, meu endereço, minhas fragilidades e me convida para buscar amparo Nele.

      Precisamos estar atentos. Quem crê na Bíblia, sabe que acordamos todos os dias em um campo de batalha espiritual com repercussões eternas. Quem ainda não possui essa fé vive igualmente exposto, mas sem o consolo da proteção prometida em 1 Jo 4:4, NVI: “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo”.

      Amado, o Espírito de Deus e a igreja de Jesus te convidam para conhecer essa paz, orando também assim: “Jesus, perdoe-me. Entre em mim. Jesus, salve-me!”.

Shane e Michele

Móbile #16 | Robson e Ingrid | 25.09.20

Nossas Guerras

      Colonizadores de Catan, Ligretto e War são jogos de tabuleiro que costumamos praticar em família e com amigos. Nessas horas, é comum ocorrerem atritos, pois a competição gera muita adrenalina. Mas, ainda assim, costumamos passar um bom tempo nos divertindo juntos e os desentendimentos são facilmente resolvidos pelo prazer da diversão e pelo esclarecimento das regras.

       Nesses jogos, a insatisfação surge quando alguém monta uma estratégia para impedir o seu avanço. Você fica aborrecido, pois teve os seus planos interrompidos e assim muda para uma estratégia mais agressiva, com o objetivo de “dar a volta por cima”.

      No ambiente familiar não deveria ser assim, mas é exatamente isso que fazemos quando entramos numa disputa: nós não queremos perder. Queremos ter a razão, queremos ter a última palavra, queremos vencer!

      Em outras ocasiões, também podemos entrar em um campo de batalha em nosso lar e, quando não, criamos esse campo “tragando” o outro para dentro dele. Brigas acontecem e certamente já aconteceram com você. Se pararmos para avaliar as motivações dessas brigas, veremos que elas têm algo em comum: a insatisfação.

      Como casal, nossas experiências de família de origem são bem diferentes. A Ingrid cresceu com a ausência do pai, papel que os avós e tios tentavam ocupar. Por ter crescido em um ambiente onde as mulheres lideravam o lar, internalizou uma percepção de homens que não assumiam suas responsabilidades.

      Já no meu caso, cresci em uma família composta por pai, mãe e filhos. Entretanto, o temperamento dos meus pais sempre foi motivo de muitas batalhas. Frases como “essa casa também é minha”, “eu sustento essa casa”, “se você for embora isso tudo vai ficar pra mim” eram ditas com muita frequência, numa disputa real por território.

      Todas essas experiências foram trazidas para o nosso lar. De um lado eu via as discussões e ofensas como algo normal; por outro, a Ingrid vivia com uma constante sensação de abandono. Isso nos impedia de experimentar o melhor do nosso relacionamento. Eu lutava para dominar o território e ela lutava para não ser abandonada.

      Como é fácil perdermos o foco e colocarmos nossa satisfação em coisas que não valem o preço da guerra. É muito fácil tentar preencher o vazio dentro de nós com palavras duras e ríspidas, com calúnia, indignação, maldade, ira, amargura, gritaria e até insultos. Assim, quando a guerra termina, você tem a sensação de vitória, podendo hastear a bandeira e gritar que esse território é seu. Entretanto, aquele que você derrotou não é seu inimigo; é seu amigo, estava lutando ao seu lado. Por trincheiras diversas esteve junto, ajudando a derrotar os verdadeiros inimigos. Essa pessoa pode ser sua esposa, seu marido, seu filho, seu pai, seu avô. Que prazer há em derrotar um amigo? Só mesmo em jogo de tabuleiro isso é bom.

      Novas batalhas surgem a cada dia.  Por isso você precisa decidir de que lado está e se a arma que usará é o pecado da insatisfação ou o louvor e gratidão. Essa decisão fará você ou repetir o erro dos seus pais ou criar uma nova e linda história.

      Se tiver que entrar em uma batalha, peça ajuda a Deus, entre para vencer, defina e lute contra o inimigo certo e, com as pessoas amigas que combatem ao seu lado, use palavras que concedam graça, fale apenas aquilo que for útil para edificar.

      Deus tem uma mesa preparada para você diante dos seus inimigos e não temos dúvida de que, ao usar as armas certas, Ele irá lutar por você e garantir sua vitória, a vitória da sua família.

Com amor,

Robson, Ingrid, Tom e Vinicius

Móbile #15 | Roberto e Alessandra | 24.09.20

Lutando Contra o Pecado em Nossas Famílias

“Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados!”  (Salmo 32:1 NVI)

      A família foi criada por Deus. Sendo assim, o próprio Senhor é o maior interessado na pureza de Sua criação. Ele quer ver as nossas famílias totalmente livres de envolvimento com o pecado. Entretanto a Bíblia relata, no livro de Gênesis, que a primeira família não seguiu as orientações de Deus e permitiu a entrada do pecado no mundo. Esse fato distorceu tudo o que Deus havia dito ao primeiro casal, à primeira família. A mulher deu ouvidos à serpente e comeu do fruto que não deveria comer. O homem não exerceu seu papel de líder e protetor. Como resultado, a comunhão entre Deus e a humanidade foi prejudicada e afetada para sempre.

      O homem, então, descobriu que estava nu e teve vergonha, mas não saiu despido do jardim. Deus, em Sua infinita misericórdia, vestiu o homem e a mulher, vestiu a família. No dia em que o Senhor os vestiu, estava apontando para Jesus, para o Cordeiro que vestiria todas as famílias da Terra.

      A entrada do pecado no mundo fez com que os relacionamentos ficassem adoecidos. A comunhão e o relacionamento com Deus ficaram prejudicados. O pecado afetou também a maneira como o homem se relaciona consigo mesmo. Adão e Eva foram colocados no jardim para governar e dominar. Como isso foi interrompido, tiveram que assumir as consequências que nos perseguem até hoje. O pecado também atingiu o relacionamento da família com Deus. A primeira família era a referência e, por meio dela, todas as famílias da Terra seriam abençoadas. Mas, porque pecaram, houve quebra de relacionamento com Deus, fazendo com que famílias se voltassem umas contra as outras e contra si mesmas. Por consequência, é comum encontrarmos relacionamentos quebrados em nossas famílias, resultado do pecado que ainda nos atormenta.   

      Precisamos entender qual é a parte que nos cabe e fazer o pecado perder cada vez mais território em nossas famílias. O pecado é nosso inimigo e devemos desmascará-lo, abandoná-lo e expulsá-lo de nossas casas. E somente conseguiremos isso quando Jesus for o centro da família. Precisamos estar atentos para renúncias que devemos fazer em prol de nossa família, caso ainda existam decisões que não fizemos e que estejam atrapalhando nossa comunhão com Deus e uns com os outros. Precisamos também selecionar aquilo que permitimos entrar em nossas casas, pois há muito conteúdo prejudicial à nossa volta que pode estimular nossa carne e levar ao pecado. Para isso, é importante mantermos um diálogo aberto em relação às lutas enfrentadas em nosso ambiente familiar. Devemos buscar conselho do Espírito Santo e de pessoas, quando estivermos passando por momentos de dificuldade e fraqueza.

      Deus nos deu duas armas nessa luta contra o pecado: a oração e a Sua palavra. Quando nos colocamos de joelhos em oração, estamos nos colocando na dependência de Deus. E a Escritura é nosso manual para vivermos aqui nesse mundo. Usando essas duas armas, temos certeza de que será cumprida a profecia de Malaquias 4:6, onde Deus promete que converterá os corações dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. Precisamos deixar Deus fazer essa obra, primeiramente em nosso coração, para que a cura brote em nosso lar. Nossas famílias estão em guerra contra o pecado, mas com a certeza de que no final seremos vitoriosos. Tiago 4:7 nos diz para resistirmos ao Diabo, e ele fugirá de nós.

      Que nossas famílias possam viver esse conselho, um dia de cada vez, para a glória de Deus.

Roberto e Alessandra

Móbile #14 | Raul e Cláudia | 22.09.20

Queimem os Navios

“E Eliseu voltou, apanhou a sua parelha de bois e os matou. Queimou o equipamento de arar para cozinhar a carne e a deu ao povo, e eles comeram. Depois partiu com Elias, tornando-se o seu auxiliar.” (1 Rs 19:21 NVI)

      Há momentos na vida em que precisamos queimar os navios do passado. Fazemos isso ao tomarmos uma decisão definitiva que eliminará a possibilidade de navegar de volta ao velho mundo, o qual ficou para trás. Queimamos os navios chamados Fracasso Passado ou Sucesso Passado. Queimamos o navio chamado Maus Costumes. Queimamos o navio chamado Arrependimento. Queimamos o navio chamado Culpa. Queimamos o navio chamado O Meu Velho Estilo de Vida.

      Foi exatamente isso que Eliseu fez quando queimou seu arado e fez um churrasco com seus bois. Era seu último jantar. Ele disse adeus à velha vida dando uma festa para os amigos. Eles compartilharam uma refeição e contaram histórias até a madrugada. No entanto, foi a fogueira que fez daquela noite a mais significativa e memorável de sua vida, porque ela representava o velho Eliseu. Era o último dia da velha vida e o primeiro da nova vida.

      Queimar o arado foi a forma de Eliseu queimar o seu navio. Ele não podia voltar ao velho estilo de vida porque destruiu a máquina do tempo que o levaria até lá. Era o fim de Eliseu, o agricultor. Era o início de Eliseu, o profeta.

      Não importa se você está tentando perder peso, entrar para a faculdade, escrever um livro, começar um negócio ou quitar uma dívida. O primeiro passo é sempre o maior e o mais difícil. E você não pode simplesmente dar um passo em direção ao futuro, também precisa eliminar a possibilidade de voltar ao passado.

      É assim que perseguimos os nossos objetivos. 

      É assim que rompemos com os vícios.

      É assim que reconciliamos relacionamentos.

      Deixamos o passado no passado, queimando os navios que nos levam para lá.

      Para podermos iniciar um novo capítulo, é preciso encerrar um antigo. A forma de fazer isso é usar um simples sinal de pontuação. Você coloca um ponto final na página. Isso resolve o problema. Contudo, se você quiser ser mais dramático, pode usar um ponto de exclamação. É mais decisivo, mais definitivo. Então você vira a página e começa uma nova frase, que começa um novo parágrafo, que por sua vez começa um novo capítulo. O que é válido para a gramática é válido para a vida.

      Eliseu não estava apenas comprando uma ideia, ele estava deixando tudo para trás. E é disso que se trata uma entrega total. É estar completamente presente aqui e agora. É não viver no passado, nem no futuro. Isso não quer dizer que não aprendemos com o passado, nem que deixemos de planejar o futuro, mas o tempo em vivemos é o presente. Entregar-se completamente é viver como se cada dia fosse o primeiro e o último da nossa vida.

      É assim que nós enfrentamos nossos pecados em nossa família.

Raul, Claudia e Thiago

Móbile #13 | Ranulfo e Regina | 21.09.20

Desmascarando o Ódio

“Ora, Israel gostava de José mais do que qualquer outro filho, porque lhe havia nascido em sua velhice; por isso mandou fazer para ele uma túnica longa. Quando os seus irmãos viram que o pai gostava mais dele do que qualquer outro filho, odiaram- no e não conseguiam falar com ele amigavelmente. Certa vez, José teve um sonho e, quando contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais.” (Gn 37:3-5, NVI)

Certamente o ambiente familiar deve ser o lugar mais seguro para partilharmos nossos sonhos, sem medo de sermos julgados, depreciados, condenados ou odiados.

Partiremos da afirmação de que toda família precisa de restauração por conta do pecado que entrou na primeira família da terra, conforme Gênesis 3. Todos nós, sem exceção, temos o potencial para o julgamento, o ódio, o ciúme e outros sentimentos e comportamentos não tão positivos ou construtivos, os quais dificilmente admitimos de pronto. Essa é uma grande verdade sobre nós: demoramos para denunciar nossos pecados no ambiente familiar, com medo das consequências, as quais, a todo custo, queremos evitar.

Olhando para a família de Jacó, percebemos sentimentos de rejeição, ódio, falta de transparência por parte dos irmãos de José e falta de sensibilidade do próprio pai.

Existem pecados no ambiente familiar que parecem invisíveis num primeiro momento, mas que, em algum tempo futuro, poderão aparecer e, se não tratados, correm o risco de destruir o projeto maior de Deus, que é a nossa família. No caso de Jacó, isto ficou visível quando José quis compartilhar seu sonho com seus irmãos e a reação dos mesmos foi de que já sabiam ser José o preferido do pai.

O que precisamos entender é que um simples gesto de um pai pode mandar uma mensagem clara e permanente de rejeição e ódio no ambiente familiar. É possível ver isto com a atitude de Jacó. O texto fala apenas sobre a túnica que ele mandou fazer para seu filho mais novo, mas não sabemos que outros sinais os demais filhos já vinham percebendo. Isso mostra que a harmonia e a unidade da família passam por aquilo que nós, pais, falamos e fazemos.

Qual o pai que, tendo mais de um filho, nunca foi confrontado com esta pergunta: ”você gosta mais do meu irmão (ou irmã) do que de mim?” Às vezes esse confronto chega mais como uma afirmação que propriamente como uma pergunta.

A Bíblia nos diz que, após José ter contado o seu sonho, o ódio e a quebra da unidade da família aumentaram, pois o relato, ao invés de trazer celebração, trouxe rupturas entre os irmãos.

Mesmo nos dias atuais, dar um presente para um filho e não dar para o outro pode gerar o desconforto de que na família exista o preferido do papai e da mamãe. Certamente já ouvimos ou lemos que filhos não devem ser educados da mesma maneira, pois eles têm personalidades diferentes. A comparação entre ambos também pode gerar ódio e ciúme, pois, no processo da educação, comparar pessoas únicas não produz os frutos de edificação que se pretende.

Olhando para a família de Jacó, o ódio dos irmãos para com José deveria ser direcionado para o pai, pois foi ele que feriu o coração dos outros filhos, com a postura e as atitudes de privilégios que teve para com José, o qual passa a ser odiado sem saber exatamente o porquê.

Como pais, precisamos ter a noção da responsabilidade do que falamos e fazemos aos nossos filhos, pois os desvios do nosso coração são suficientes para gerar um dano profundo em nosso ambiente familiar.

Também por isso, não podemos fazer vista grossa para os pecados do coração, tanto nossos quanto de nossos filhos, que vez ou outra aparecem nas atitudes, nas falas e no tom de voz.

Com certeza, o ambiente familiar é o lugar de partilharmos nossos sonhos, pois é – e deve ser – o primeiro ambiente em que esperamos apoio e celebração. Nossos filhos também precisam ter este lugar seguro para falar de seus sonhos e percepções, seus medos e suas alegrias. Podemos e devemos sonhar nossos sonhos no solo da transparência, da verdade, da autenticidade de um para com o outro, sem gerar ódio, em um espaço de convivência saudável, o qual deve ser o aconchego da família.

Desejamos que todos vocês desfrutem da convicção de que restauração é um processo para toda vida e que o espaço pensado por Deus para que isso aconteça é a família. É nesse ambiente que todo ódio oculto aos olhos humanos deve ser denunciado, lembrando que Deus vê o coração e que a Sua Graça o transforma.

Família Nascimento! Ranulfo, Regina, Sarah e Samuel

Móbile #12 | Michel e Carla | 20.09.20

Despindo-se Diante de um Deus de Misericórdia

“Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.” (Provérbios 28:13, NVI)

A Bíblia fala, em Romanos 3:23, que todos pecaram e carecem da Glória de Deus. Assim, cada um de nós nasce com uma natureza corrompida, dentro de uma sociedade com valores distorcidos. Quando conhecemos Jesus e entregamos a Ele nosso coração, temos a oportunidade de, ao sermos confrontados por Sua palavra diante de nossas atitudes e escolhas, reconhecermos quem realmente somos e o que o pecado faz conosco. Somente temos consciência do pecado a partir do conhecimento da verdadeira Lei, a palavra de Deus, que nos orienta e ensina como devemos viver.

A vida de pecado nos gera incômodo ao sabermos que nossas atitudes desagradam a Deus. Ainda assim, muitas vezes, somos tentados a manter nossas práticas pecaminosas, seja pelo gosto momentâneo e enganoso do pecado, seja por medo, vergonha, orgulho ou por julgamento dos que estão próximos. Porém nosso texto-base afirma que quem esconde os seus pecados não prospera, ou seja: os pecados escondidos nos mantêm prisioneiros e não nos permitem avançar. Por outro lado, quem confessa e abandona os seus pecados encontra a misericórdia de Deus.

Pensando no contexto familiar, precisamos estar alertas, pois é nele que somos mais exigidos. Esse é o lugar onde mais precisamos nos doar, exercitar a paciência, o amor e o serviço. Diariamente necessitamos renunciar, abrir mão de algo que queremos ou precisamos, em favor de um filho ou de nosso cônjuge. Dentro do nosso lar, diante de nossa família, é que temos as maiores e melhores oportunidades de “ir além”, “andar mais uma milha” no exercício do amor. No entanto, é neste lugar onde mais se espera de nós que, por vezes, nos deixamos levar por nossas áreas de lutas e nos entregamos aos pecados que nos rondam. É neste ambiente que toda a aparência demonstrada para os de fora, cai. É onde realmente nos conhecem como somos e que por vezes não somos intencionais em abandonar nossas práticas pecaminosas, mesmo sendo nosso ambiente de maior responsabilidade.

Talvez hoje você esteja vivendo grandes desafios com sua família. O que precisamos é “abandonar tudo o que nos atrapalha e todo o pecado que nos envolve…”, seja o orgulho, o querer ter a razão em tudo, o egoísmo, a agressividade, enfim, tudo o que atrapalha. Deus quer que assumamos nossa responsabilidade diante da missão que recebemos, que possamos reconhecer nosso pecado, denunciá-lo e abandoná-lo, clamando pela misericórdia d’Ele para que possamos ser, dentro de nossas famílias, os referenciais que Ele quer que sejamos. Porém abandonar exige esforço, humildade, dedicação e principalmente dependência de Deus.

Cremos que será neste ambiente familiar que você poderá deixar as maiores marcas. Sim, na vida de seu cônjuge e filhos você deixará legados de amor. Aqui em casa vivemos isso tudo na prática, sabendo perfeitamente que neste ambiente seremos mais exigidos. Saber disso nem sempre torna tudo mais fácil, no entanto, nos liberta de mentiras. Percebemos, em alguns dias mais do que em outros, o quanto somos pecadores. Há momentos em que palavras e atitudes nos magoam, em outros não estamos sensíveis às necessidades uns dos outros e até cansados para amar-nos como necessitamos. É nestes momentos mais desafiadores que temos pedido ao Espírito Santo que quebre nosso orgulho e temos buscado agir com a coragem de reconhecer um ao outro e em família que falhamos.

Reconhecemos que a jornada é longa e sabemos da nossa natureza pecaminosa. Então entendemos que sempre, até encontrarmos com nosso Pai, precisaremos estar sensíveis e viver dispostos a nos despir diante de Deus, confessando e abandonando nossos pecados, pois assim alcançaremos misericórdia.

Michel, Carla, Carol e Bela.

Móbile #11 | Mauro e Adri | 18.09.20

Cachorro Vira-lata ou Gato de Raça?

“Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26a, NVI).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, somos seres relacionais! No texto, o verbo “façamos” denota mais de uma pessoa, revela a Trindade em relacionamento. Essa capacidade relacional também é um atributo divino presente em nós e nossos relacionamentos afetam o coração e as emoções, outros atributos dados por Deus.

Nossos relacionamentos são edificados ou destruídos através de ações e palavras. Tanto as ações como as palavras decorrem dos desígnios que nascem em nosso coração (Mt 15:19), pois a boca fala aquilo do que está cheio o coração (Lc 6:45). Se nosso coração estiver consagrado, essa consagração flui em palavras e atos, que manifestam a presença ou ausência desta água viva, e o primeiro lugar a ser regado será nossa família.

Predominam dois agentes de erosão em nosso coração relativos aos relacionamentos: a culpa e a raiva ou mágoa. Quando nos sentimos culpados, nos sentimos em dívida com o outro e quando sentimos que o outro é que nos deve, sentimos raiva, mágoa ou ressentimento. Com esses sentimentos, renunciamos a presença de Deus em nosso coração. Por nossos pecados Ele foi sentenciado, pois não havia Nele pecado algum. E foi sentenciado para liberar perdão sobre nós. Se não recebemos Sua obra substitutiva, permanecemos culpados; e se não perdoamos, não permitimos que Seu perdão flua através de nós e também nos tornamos estéreis.

Estas verdades ficam muito flagrantes quando ousamos refletir sinceramente sobre nossa espiritualidade. Não pense sobre seus relacionamentos profissionais ou sociais, até mesmo na igreja. Faça a análise na origem: como tenho me relacionado com Deus e como tenho me relacionado com meus próximos mais próximos, a minha família?

Refletindo sobre este devocional, minha esposa, Adriana, chamou minha atenção para uma ilustração com que se deparou, de que nós deveríamos ser como cães vira-latas em nosso relacionamento com Deus. Como assim? Não sou cão e muito menos vira-lata ou SRD (sem raça definida) como colocou o veterinário, quando, ainda criança, levei Bidu (meu primeiro vira-lata) à clínica veterinária.

Você já observou a “festa” que um vira-lata faz quando seu dono chega? Independentemente de estar cansado, com fome, sede, ou até enfermo, seja qual for a circunstância que o aflija, ele festejará a presença de seu dono. Já os gatos parecem mais senhores de si, alguns festejam a chegada do dono, mas normalmente mantêm uma postura mais recatada e autossuficiente.

Nosso “Dono” habita em nós. Mesmo quando não sentimos que está conosco, Ele está, porque disse que estaria! Temos sido vira-latas festejando a presença do dono ou aquele tipo de gato com olhar indiferente ou distante, que tem atitude presunçosa e confiante em si mesmo?

Para concluir, gostaria que pensasse bem sobre a possibilidade de fazer, sinceramente, a seguinte oração:

“Deus, eu te peço que a partir de hoje, tu me trates como eu tenho tratado meu próximo: meu cônjuge, meus filhos, meus irmãos, meus familiares, meus colegas de trabalho; com o mesmo olhar de amor com que eu os olho e a mesma benevolência, paciência, longanimidade, fidelidade, compreensão e misericórdia. E quando esgotares a porção de minha pequena misericórdia, me castigues e repreendas com os mesmos critérios que eu usaria para com eles”.

Percebemos que necessitamos nos tornar mais conscientes de Sua eterna presença e festejá-la em tudo que fizermos, para que todos percebam que o “Dono” está em nossa casa.

Mauro e Adriana Gamboa

Móbile #10 | Márcio e Nai | 17.09.20

O Privilégio Poderia Ter Sido Apenas de Deus

Você já parou para pensar que, quando Deus criou o primeiro casal, poderia, da mesma forma, ter criado todos os outros seres humanos? Ele poderia ter deixado apenas para Si esse privilégio de gerar alguém e de desfrutar de todos os sentimentos incríveis e indescritíveis que envolvem o gerar, o nutrir, o cuidar de uma vida e o entregar, nas suas mais variadas formas, amor aos filhos.

No dia 11 de agosto deste ano de 2020, nasceu a nossa primogênita. Impressionante o privilégio que sentimos de poder receber, em nossa vida, essa bebê tão linda, cheia de vida e “fofura”. Ao desfrutarmos de cada momento com ela, fomos envolvidos pelo pensamento do que o nosso Deus deve sentir quando olha para nós: profundo e incondicional amor, alegria e prazer com cada detalhe.

Neste tempo, temos refletido muito sobre Deus compartilhar a paternidade d’Ele conosco e nos alegramos por poder sentir pela nossa filha algo que, de alguma forma, se assemelha àquilo que Ele sente por nós, Seus filhos. Ele poderia ter ficado com esse privilégio maravilhoso apenas para Si, mas, por amor, permitiu que nós pudéssemos senti-lo e desfrutá-lo também.

Quando olhamos para aquilo que estamos vivendo e nos deixamos ser lidos pelo Senhor em nossas responsabilidades, vemos que Ele tem um gigantesco interesse em se manifestar por meio da família. Entendemos que Ele não está apenas interessado, mas que isso é Sua prioridade.

Chamamos de fundação soberana tudo aquilo que não nos coube escolher, ou seja, as coisas que Deus, de antemão, escolheu para nós, como nacionalidade, família, características físicas, personalidade etc. É impressionante como Deus não errou em nada! Nós erramos e nossos pais também, mas Deus é perfeito! Até mesmo aqueles episódios que, aos nossos olhos humanos, excluiríamos da nossa história, em Suas mãos, transformam-se, e Ele usa para algo bom e incrível ao longo da nossa jornada.

Ainda na barriga de nossa mãe, era por meio do cordão umbilical que recebíamos oxigênio e todos os nutrientes necessários para crescermos e nos desenvolvermos. Nosso umbigo recorda-nos que, desde o ventre, dependemos de alguém para viver. Nosso físico carrega, por toda a vida, uma marca que nos lembra de que não fomos feitos para vivermos independentes e sozinhos. Através dessas mensagens multiformes que Deus nos envia podemos sentir o amor que Ele tem por nós, o qual pode ser desfrutado também por meio dos relacionamentos uns com os outros, a começar dentro de nossa própria família.

Pode ser que você hoje esteja se sentindo só, mesmo morando com seus pais; também pode ser que você não conheça ninguém da sua família biológica ou, até mesmo, pode ter sofrido um abandono traumático, mas Deus quer lhe dizer que é possível e maravilhoso crescer espiritualmente em família! Somos todos convidados a crescermos em Deus e sermos juntos uma família espiritual com Jesus, nosso irmão mais velho.

Seja a família biológica ou a espiritual, é no seio da família que somos profundamente lapidados e convidados à santificação diária, recebendo a oportunidade de crescer através do relacionamento uns com os outros. Não fomos criados para viver sós, mas para experimentar o privilégio de viver essa linda aventura, com a qual, entre perdões, ajustes e muita dedicação, crescemos e nos desenvolvemos integralmente.

Creia que tudo o que você vive em família é interessante para seu crescimento. Momentos alegres são importantes, mas às vezes o crescer também pode ser regado com lágrimas.

Que Deus o abençoe com o encorajamento necessário para aceitar o desafio de viver em plenitude o projeto familiar como a principal manifestação d’Ele aqui nesta terra, desenvolvendo sua espiritualidade!

Márcio, Naiane e Lola Madalena!

Móbile #09 | Marcelo e Fabi | 15.09.20

A Verdadeira Adoração Começa na Família

Texto-Base: Deuteronômio 6:1-9

“Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão o Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa.” (Dt 6:2 NVI)

Tive o privilégio de nascer em uma família que já conhecia Jesus antes mesmo do meu nascimento. Eu e meus três irmãos fomos ensinados, desde cedo, a temer e obedecer a Deus. A Bíblia diz: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.” (Dt 6:5 NVI)

Durante toda a nossa infância, aprendemos que nada era mais importante do que amar a Deus e conhecê-Lo cada vez mais por meio de Sua Palavra. À medida que crescíamos no conhecimento de Deus, fomos aprendendo o valor da obediência e do temor a Ele. Eu e meus irmãos temos muitas memórias construídas em nossa infância, que nos ajudaram a jamais deixar de acreditar e colocar a nossa fé em Jesus. Lembro-me dos momentos de estudo da Bíblia em família, das conversas profundas e dos momentos em que minha mãe recitava textos bíblicos, nos ajudando a olhar para a palavra de Deus como manual de prática. Eu me sentia julgado e dizia: “Lá vem a mãe com a Bíblia”. Lembro, também, dos passeios e viagens em que nossas conversas e músicas nos conduziam a Deus.

Não estou dizendo que tivemos pais perfeitos. Mesmo com suas imperfeições e limitações, eles aprenderam com a palavra de Deus que a verdadeira adoração começa em casa. E pela graça do Pai, nos conduziram até a nossa fase adulta. Hoje somos quatro filhos consagrados, que amam a Cristo e que assumiram diante de Deus a responsabilidade de conduzir suas famílias ao conhecimento de quem é Deus.

Ao preparar esta devocional e olhar para o texto bíblico, eu e a Fabi, minha esposa, pensamos em nossas infâncias – que foram bem diferentes. Fomos profundamente ministrados pelo Espírito Santo ao pensar sobre como queremos e como acreditamos ser a maneira correta de conduzir nossa família hoje. Fomos constrangidos com perguntas importantes, e nem todas foram respondidas por nós como deveriam ser. Somos uma família que ama Jesus, mas não temos aproveitado todas as oportunidades para criar memórias e plantar no coração de nossas filhas a palavra de Deus e o amor que temos por Jesus.

O texto bíblico diz: “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” (Dt.6:6-7 NVI). Portanto, precisamos nos perguntar: Temos sido persistentes ao ensinar nossos filhos? A Palavra de Deus tem feito parte de nossas conversas com nossos filhos em casa? Temos sido intencionais em caminhar com nossos filhos e atentos para ouvir o coração deles e ministrar em suas vidas? Temos aproveitado os momentos em que colocamos nossos filhos na cama, lemos histórias, orando e abençoando-os, ou estamos abrindo mão desse privilégio?

Com muito temor, olhamos para estas e outras perguntas que o Espírito Santo nos conduziu a fazer. Nos arrependemos e assumimos diante de Deus nossa responsabilidade de aproveitar todas as oportunidades para marcar profundamente a vida de nossas filhas, assim como meus irmãos e eu fomos marcados pela vida dos meus pais. E você? O que Deus está falando, e o que você fará a respeito?

Marcelo e Fabi.

Móbile #08 | Maidana e Cleusa | 14.09.20

O Exemplo de Cristo

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos.” (Filipenses 2:3 NVI)

O egoísmo é uma das posturas mais difíceis de lidar que podemos encontrar em alguém. Ele pode ser definido como o hábito ou a atitude que leva uma pessoa a colocar em primeiro lugar seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em detrimento do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. No relacionamento familiar, quando o egoísmo se manifesta em um (ou mais) de seus integrantes, a tensão está sempre presente, pois esta pessoa vive a sua vida procurando apenas satisfazer os seus interesses, e acha que os demais estão ali para o servirem. É interessante observarmos que essa é uma postura própria da natureza humana. Você já observou um bebê recém-nascido? Desde criança manifestamos essa tendência e agimos instintivamente, como se todos ao nosso redor estivessem ali para nos servir.

Todavia, à medida que crescemos, Deus usa o ambiente familiar para transformar o nosso egoísmo. Se você tem irmãos, sabe que uma das frases que os pais mais utilizam é: “Você tem que compartilhar com seu irmão.” Mas, para alguns, isso pode ser algo extremamente difícil, pois em um coração egoísta não existe muito espaço para o outro. Somente quando permitimos que Cristo entre em nossos corações, tornando-se Senhor das nossas vidas, experimentamos um processo de transformação.

Como discípulos de Jesus, precisamos seguir o Seu exemplo para vivermos uma vida liberta do egoísmo. “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus…” (Filipenses 2:4-5 NVI). Quando aplicamos este princípio à família, não existe mais espaço para os “nossos próprios interesses”, porque o exemplo de Jesus nos constrange a vivermos uma vida de entrega e doação para tornar o ambiente familiar um lugar de edificação mútua. E quanto mais nos humilhamos, mais nos tornamos parecidos com Jesus, vivendo uma espiritualidade saudável, que tem por objetivo glorificar a Deus.

Edith Schaeffer, em seu livro “O que é uma família?”, apresenta algumas definições que buscam responder a esta pergunta. Uma delas diz que: “Uma família é um centro de formação de relacionamentos humanos. A família é onde o profundo entendimento de que as pessoas são significativas, importantes, valiosas […] precisa ser aprendido desde a tenra idade.” (2019, p. 77). Considerarmos pessoas como significativas, importantes e valiosas não corresponde a uma postura egoísta, mas é fruto de um coração que considera os outros superiores a si, observando o exemplo deixado por Jesus, que “… esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo…” (Filipenses 2:7 NVI).

A Palavra de Deus nos constrange, diariamente, a vivermos como servos uns dos outros. E a família é o melhor – e mais difícil – ambiente para exercitarmos esse princípio, pois todos os dias somos levados, por situações cotidianas, a deixarmos a nossa humanidade comandar as nossas ações e reações. Mas quando estamos em Cristo, vivendo um relacionamento diário com Ele, passamos a ter uma postura humilde e servil, o que traz glória ao nome de Deus e bênçãos sobre a vida das nossas famílias.

Que Deus abençoe a vida da tua família!

Com carinho,

Maidana e Cleusa