Móbile #13 | Ranulfo e Regina | 21.09.20

Desmascarando o Ódio

“Ora, Israel gostava de José mais do que qualquer outro filho, porque lhe havia nascido em sua velhice; por isso mandou fazer para ele uma túnica longa. Quando os seus irmãos viram que o pai gostava mais dele do que qualquer outro filho, odiaram- no e não conseguiam falar com ele amigavelmente. Certa vez, José teve um sonho e, quando contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais.” (Gn 37:3-5, NVI)

Certamente o ambiente familiar deve ser o lugar mais seguro para partilharmos nossos sonhos, sem medo de sermos julgados, depreciados, condenados ou odiados.

Partiremos da afirmação de que toda família precisa de restauração por conta do pecado que entrou na primeira família da terra, conforme Gênesis 3. Todos nós, sem exceção, temos o potencial para o julgamento, o ódio, o ciúme e outros sentimentos e comportamentos não tão positivos ou construtivos, os quais dificilmente admitimos de pronto. Essa é uma grande verdade sobre nós: demoramos para denunciar nossos pecados no ambiente familiar, com medo das consequências, as quais, a todo custo, queremos evitar.

Olhando para a família de Jacó, percebemos sentimentos de rejeição, ódio, falta de transparência por parte dos irmãos de José e falta de sensibilidade do próprio pai.

Existem pecados no ambiente familiar que parecem invisíveis num primeiro momento, mas que, em algum tempo futuro, poderão aparecer e, se não tratados, correm o risco de destruir o projeto maior de Deus, que é a nossa família. No caso de Jacó, isto ficou visível quando José quis compartilhar seu sonho com seus irmãos e a reação dos mesmos foi de que já sabiam ser José o preferido do pai.

O que precisamos entender é que um simples gesto de um pai pode mandar uma mensagem clara e permanente de rejeição e ódio no ambiente familiar. É possível ver isto com a atitude de Jacó. O texto fala apenas sobre a túnica que ele mandou fazer para seu filho mais novo, mas não sabemos que outros sinais os demais filhos já vinham percebendo. Isso mostra que a harmonia e a unidade da família passam por aquilo que nós, pais, falamos e fazemos.

Qual o pai que, tendo mais de um filho, nunca foi confrontado com esta pergunta: ”você gosta mais do meu irmão (ou irmã) do que de mim?” Às vezes esse confronto chega mais como uma afirmação que propriamente como uma pergunta.

A Bíblia nos diz que, após José ter contado o seu sonho, o ódio e a quebra da unidade da família aumentaram, pois o relato, ao invés de trazer celebração, trouxe rupturas entre os irmãos.

Mesmo nos dias atuais, dar um presente para um filho e não dar para o outro pode gerar o desconforto de que na família exista o preferido do papai e da mamãe. Certamente já ouvimos ou lemos que filhos não devem ser educados da mesma maneira, pois eles têm personalidades diferentes. A comparação entre ambos também pode gerar ódio e ciúme, pois, no processo da educação, comparar pessoas únicas não produz os frutos de edificação que se pretende.

Olhando para a família de Jacó, o ódio dos irmãos para com José deveria ser direcionado para o pai, pois foi ele que feriu o coração dos outros filhos, com a postura e as atitudes de privilégios que teve para com José, o qual passa a ser odiado sem saber exatamente o porquê.

Como pais, precisamos ter a noção da responsabilidade do que falamos e fazemos aos nossos filhos, pois os desvios do nosso coração são suficientes para gerar um dano profundo em nosso ambiente familiar.

Também por isso, não podemos fazer vista grossa para os pecados do coração, tanto nossos quanto de nossos filhos, que vez ou outra aparecem nas atitudes, nas falas e no tom de voz.

Com certeza, o ambiente familiar é o lugar de partilharmos nossos sonhos, pois é – e deve ser – o primeiro ambiente em que esperamos apoio e celebração. Nossos filhos também precisam ter este lugar seguro para falar de seus sonhos e percepções, seus medos e suas alegrias. Podemos e devemos sonhar nossos sonhos no solo da transparência, da verdade, da autenticidade de um para com o outro, sem gerar ódio, em um espaço de convivência saudável, o qual deve ser o aconchego da família.

Desejamos que todos vocês desfrutem da convicção de que restauração é um processo para toda vida e que o espaço pensado por Deus para que isso aconteça é a família. É nesse ambiente que todo ódio oculto aos olhos humanos deve ser denunciado, lembrando que Deus vê o coração e que a Sua Graça o transforma.

Família Nascimento! Ranulfo, Regina, Sarah e Samuel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s