Móbile #16 | Robson e Ingrid | 25.09.20

Nossas Guerras

      Colonizadores de Catan, Ligretto e War são jogos de tabuleiro que costumamos praticar em família e com amigos. Nessas horas, é comum ocorrerem atritos, pois a competição gera muita adrenalina. Mas, ainda assim, costumamos passar um bom tempo nos divertindo juntos e os desentendimentos são facilmente resolvidos pelo prazer da diversão e pelo esclarecimento das regras.

       Nesses jogos, a insatisfação surge quando alguém monta uma estratégia para impedir o seu avanço. Você fica aborrecido, pois teve os seus planos interrompidos e assim muda para uma estratégia mais agressiva, com o objetivo de “dar a volta por cima”.

      No ambiente familiar não deveria ser assim, mas é exatamente isso que fazemos quando entramos numa disputa: nós não queremos perder. Queremos ter a razão, queremos ter a última palavra, queremos vencer!

      Em outras ocasiões, também podemos entrar em um campo de batalha em nosso lar e, quando não, criamos esse campo “tragando” o outro para dentro dele. Brigas acontecem e certamente já aconteceram com você. Se pararmos para avaliar as motivações dessas brigas, veremos que elas têm algo em comum: a insatisfação.

      Como casal, nossas experiências de família de origem são bem diferentes. A Ingrid cresceu com a ausência do pai, papel que os avós e tios tentavam ocupar. Por ter crescido em um ambiente onde as mulheres lideravam o lar, internalizou uma percepção de homens que não assumiam suas responsabilidades.

      Já no meu caso, cresci em uma família composta por pai, mãe e filhos. Entretanto, o temperamento dos meus pais sempre foi motivo de muitas batalhas. Frases como “essa casa também é minha”, “eu sustento essa casa”, “se você for embora isso tudo vai ficar pra mim” eram ditas com muita frequência, numa disputa real por território.

      Todas essas experiências foram trazidas para o nosso lar. De um lado eu via as discussões e ofensas como algo normal; por outro, a Ingrid vivia com uma constante sensação de abandono. Isso nos impedia de experimentar o melhor do nosso relacionamento. Eu lutava para dominar o território e ela lutava para não ser abandonada.

      Como é fácil perdermos o foco e colocarmos nossa satisfação em coisas que não valem o preço da guerra. É muito fácil tentar preencher o vazio dentro de nós com palavras duras e ríspidas, com calúnia, indignação, maldade, ira, amargura, gritaria e até insultos. Assim, quando a guerra termina, você tem a sensação de vitória, podendo hastear a bandeira e gritar que esse território é seu. Entretanto, aquele que você derrotou não é seu inimigo; é seu amigo, estava lutando ao seu lado. Por trincheiras diversas esteve junto, ajudando a derrotar os verdadeiros inimigos. Essa pessoa pode ser sua esposa, seu marido, seu filho, seu pai, seu avô. Que prazer há em derrotar um amigo? Só mesmo em jogo de tabuleiro isso é bom.

      Novas batalhas surgem a cada dia.  Por isso você precisa decidir de que lado está e se a arma que usará é o pecado da insatisfação ou o louvor e gratidão. Essa decisão fará você ou repetir o erro dos seus pais ou criar uma nova e linda história.

      Se tiver que entrar em uma batalha, peça ajuda a Deus, entre para vencer, defina e lute contra o inimigo certo e, com as pessoas amigas que combatem ao seu lado, use palavras que concedam graça, fale apenas aquilo que for útil para edificar.

      Deus tem uma mesa preparada para você diante dos seus inimigos e não temos dúvida de que, ao usar as armas certas, Ele irá lutar por você e garantir sua vitória, a vitória da sua família.

Com amor,

Robson, Ingrid, Tom e Vinicius

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