15/40 dias C.A.F.E. |UM AMOR ALÉM DA RAZÃO

Enquanto o mundo encolhe com o medo, o povo de Deus ama.
Devocional 15/40 – 05.04.2020
UM AMOR ALÉM DA RAZÃO
por Miguel Schmitt

“Em Antioquia os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos.” (At 11.26)

Há algum tempo li um livro de Francis Chan, intitulado Louco Amor, que me trouxe uma perspectiva interessante sobre o texto acima. “Eles foram chamados (designados) cristãos por aquelas pessoas que observavam a vida que eles levavam.” As pessoas que estavam próximas a eles viam mais a Cristo ao se aproximarem deles, do que a eles mesmos.

O tempo em que vivemos hoje, mais do que nunca, nos traz uma incrível oportunidade de fazermos a diferença. “Eles foram chamados cristãos […]”. Será que hoje, ao olhar a minha ou a sua vida, alguém seria capaz de nos chamar de cristãos? Nossa tendência natural (pelo menos a minha), nas circunstâncias atuais é pensar – “O que preciso fazer para preservar a minha família e a mim?” É uma preocupação legítima e biblicamente fundamentada (I Tm 3.2-5 e I Tm 5.8). Deus, porém, nos chama para amá-lo, para amar ao próximo e fazer discípulos, por meio da proclamação do evangelho. É um chamado para amar muito além das nossas casas, para muito além de nós mesmos. Mas como fazer isso, quando nosso futuro e a segurança da nossa própria casa estão em risco?
Certo dia ouvi a seguinte frase de um pastor: “O MEDO RECUA, ONDE O AMOR SE MANIFESTA!” Que frase incrível!

Porém, ao olhar os noticiários vemos um movimento de pessoas pouco preocupadas com o próximo, tensões entre os cuidados com a vida e com a economia, medo e ansiedade crescentes. Como então, manifestar esse amor, não um amor qualquer, mas o amor de Cristo, em meio a tanta incerteza e insegurança? Não pretendo aqui, definir uma fórmula, mas repartir alguns princípios que têm me ajudado a viver esse amor:

Conhecer a fonte do amor – nosso amor é aperfeiçoado à medida que crescemos na intimidade com Cristo;

Reconhecer a dependência de Deus – precisamos reconhecer que por nós mesmos somos incapazes de transmitir o amor de Deus, somente pelo amor Dele derramado em nós é que conseguimos manifestá-lo ao mundo;

Ter a consciência de que o amor de Jesus vai além da razão – pois o amor do mundo dá somente aquilo que tem, já o amor de Cristo nos convida a abrir mão do que temos para amar ao próximo.

Ter coragem e confiança para agir – viver esse amor que vai além da razão, muitas vezes exigirá um movimento para além do nosso conforto e segurança, exigirá fé e coragem para ir além do que vemos a nossa frente (Hb 11.6), além das circunstâncias, além de nós mesmos.

Talvez esses dois últimos sejam os mais difíceis, mas sem isso, quem sabe, nunca consigamos experimentar o amor da forma que Jesus nos predestinou a viver, com uma generosidade irracional, por acreditarmos verdadeiramente que melhor é dar do que receber (At 20.35), em tudo o que temos e somos.

É difícil, né? Eu sei, para mim também é, mas fique tranquilo, Ele sabe! E está aí para nos ajudar. Se tivermos o coração disponível, Ele irá nos ensinar e, muito mais do que isso, irá nos capacitar a fazer e experimentar coisas que jamais poderíamos pedir, pensar ou imaginar (Ef 3.20). Não é pela nossa força, “é Deus quem efetua em nós [grifo meu] tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade Dele” Fp 2.13. Ele é o principal interessado em aperfeiçoar em nós essa “fé que atua pelo amor” (Gl 5.6).

Que nesse tempo em que estamos vivendo, possamos enxergar as oportunidades que se abrem para viver o amor de Cristo de forma prática e intencional, em nossa relação pessoal com Deus, com nossa família, nossos amigos, na igreja e fora dela. Nossa missão é alcançar o mundo com o amor de Jesus. Que nossos olhos não se limitem ao que vemos em nós mesmos, ou no que temos, mas que eles estejam focados em Deus que não tem limites para realizar qualquer coisa diante de um coração disponível, dependente e confiante.

Deus tem desafiado a minha família a viver esse amor, Ele tem feito revoluções em nossos corações, transformado valores, redefinido prioridades e mostrado coisas não tão boas que precisam ser ajustadas. Confesso que é desafiador, mas quanto mais temos aberto espaço para o Seu agir, mais queremos que Ele faça. Muitas vezes, quando Deus nos tira da nossa zona de conforto, quando mexe com o nosso orgulho, vaidade, com a sensação de controle sobre nossas vidas, com a nossa autossuficiência, dói, choramos, até ficamos bravos. Porém, quando aquietamos o nosso coração, entendemos que, alinhar nossos sonhos, planos, desejos e necessidades, aos que Deus tem para nós, nos torna mais capazes de viver Jesus e o Seu amor – esse amor que abre mão de si mesmo – de forma generosa. O foco muda, não está mais no que temos, mas em como tudo o que somos e temos pode ser usado para alcançar vidas para Jesus.

Sou tremendamente grato a esse Deus que por sua misericórdia e graça tem nos alcançado com Seu infinito amor, pois só assim, por meio da ação Dele em nossas vidas e não por nossas forças, é que somos capazes de experimentar o privilégio de viver e entregar ao mundo esse “louco amor”, que vai muito além da razão!

Por fim, oro para que Deus encha nossos corações de coragem e confiança, mesmo quando as circunstâncias se mostrarem contrárias e, que apesar delas, vivamos com entusiasmo e profundidade tudo o que Ele tem reservado para nós, na confiança de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam” (Rm 8.28). Que possamos gozar a vida de forma intensamente generosa, como Cristo, que negou a si mesmo e as suas “regalias” por AMOR a todos nós. Assim, quando as pessoas nos observarem, que possam ver Cristo refletido em nós, que mesmo sem dizermos uma só palavra, possam nos chamar de cristãos.

Em Cristo Jesus, amém!

Música sugerida: Sobre Ele (Amanda Rodrigues)
https://www.youtube.com/watch?v=MAyAI-eDceI

14/40 dias C.A.F.E. |UM TEMPO PARA AMAR

Enquanto o mundo encolhe com o medo, o povo de Deus ama.
Devocional 14/40 – 04.04.2020
UM TEMPO PARA AMAR
por Gabriel Chaw

“Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 Jo 4.8)

Texto-base: 1 João 4.7-21

Esta será uma Semana Santa totalmente diferente de todas as outras que eu já vivi. Isolamento social é a nova palavra na mídia. Vivemos todos com medo e reclusos em casa. Durante as semanas que passaram, vimos o desespero das pessoas, a corrida aos supermercados, governos indecisos e infelizmente o contágio e a morte de muitas pessoas. Amanhã é o primeiro dia da semana, chamado de Domingo de Ramos, pois, nesse domingo, Jesus entrou em Jerusalém para celebrar a Páscoa com Seus discípulos. Enquanto Jesus entrava, a multidão, com ramos de palmeiras, O recebia com grande alegria e louvor. A mesma multidão que, na sexta-feira seguinte, gritava: “crucifica-o, crucifica-o”. Imaginem o coração de Jesus no momento em que, sendo aclamado como rei, montado em um jumentinho, sabia que caminharia, dias mais tarde, para a morte, mas para que todos pudessem ter vida. O plano de Deus é cheio de paradoxos desse tipo, e nós podemos ficar confusos sem saber o que está acontecendo.

Às vezes, fico imaginando Deus, em Sua soberania, nos olhando aqui na Terra: perdidos, desesperados, correndo de um lado para o outro sem entender o que está acontecendo. Foi exatamente por isso que Deus enviou Jesus para ser o nosso elo de contato com Ele. Jesus é a junção perfeita de Deus com o homem, sabendo todas as coisas relacionadas ao nosso maravilhoso Deus e também todas as coisas relacionadas aos homens. Então, nossa perspectiva muda totalmente: agora, podemos nos relacionar pessoalmente com o Deus que sabe exatamente o que nós passamos, e que age em todas as coisas para o nosso bem (Rm 8.28). Através de Jesus, nosso relacionamento com Deus muda completamente, agora não é mais um Deus lá no Céu, inacessível em Sua soberania, governando o universo, mas sim um Deus que, em amor, escolheu enviar o Seu filho unigênito para Se relacionar conosco, sentir na pele como é ser humano e viver a mais terrível morte em nosso lugar!
Portanto, cabe a nós amarmos a Deus não esperando uma retribuição da Sua parte, mas simplesmente amando-o pois Ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19). Jesus nos ajuda resumindo todos os mandamentos em dois: o primeiro, vertical, entre nós e Deus, amar a Deus acima de todas as coisas (Mt 22.37); o segundo, horizontal, relacionado ao nosso próximo, amando-o como a si mesmo (Mt 22.39). Nesses dois mandamentos, toda a lei pode ser resumida. Como fica então a nossa resposta para Deus diante de tamanho desafio que estamos vivendo hoje?

Pare por um instante e leia o texto-base da nossa reflexão. Caso você já o tenha feito, faça-o novamente. Medite nesse texto por alguns minutos. Nele, temos pontos muito importantes para a vida cristã. Devemos colocá-lo em prática hoje mesmo!
Seguem alguns desses pontos: devemos estar confiantes, sem medo, confessando Jesus, permanecendo nEle em amor, e, acima de tudo, amando uns aos outros! Como família, eu, Aline, Daniel e Matheus memorizamos 1 João 4.8 há alguns meses; nosso objetivo é amar ao próximo, pois amamos a Deus, e Ele nos ama!

Voltando para o momento conturbado que estamos vivendo hoje, como você tem demonstrado/refletido o amor de Deus para com o seu próximo?

Como igreja, estamos nos mobilizando para direcionar todas as nossas doações da campanha C.A.F.E. para pessoas em necessidade. Você já teve o privilégio de contribuir? Como você pode suprir as necessidades físicas, emocionais e espirituais do seu próximo? Deus nos capacitou ricamente para sermos criativos neste momento! Lembrem-se dos paradoxos de Deus: em tempo de grande necessidade, surge uma grande oportunidade. Paulo fala em 2 Co 12.10: “Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.”

Que, neste momento de fraqueza e grande necessidade, nós possamos ser fortes em Cristo, sendo refúgio e fortaleza para o nosso próximo!

Música sugerida: This is Amazing Grace (Phil Wickham)
https://www.youtube.com/watch?v=XFRjr_x-yxU

13/40 dias C.A.F.E. | Amor além do sábado

Enquanto o mundo encolhe com o medo, o povo de Deus ama.
Devocional 13/40 – 03.04.2020
Amor além do sábado
por Robson Ferreira

“Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso.” (Lucas 6.36)

Texto-base: Lucas 6.1-11;36

Na cabeceira da minha cama, assim como na imagem de fundo de tela do meu celular, tenho uma fotografia das pessoas que mais amo: minha esposa Ingrid, e meus dois filhos, Tom e Vinícius. A foto foi muito bem escolhida: os três com um sorriso lindo para me lembrar da alegria de ter uma família incrível que Deus me deu para amar e cuidar.

Olhando para esse quadro ao lado da minha cama, fico imaginando se eu teria outros quadros com outras pessoas, talvez meus pais, meus tios, meus amigos, ou, como no álbum de casamento, as fotos com os convidados. Percebo que temos algumas regras bem claras de quais pessoas vamos pendurar na nossa parede de casa, no nosso lugar seguro, o lar doce lar. Essas regras são como os limites da moldura do quadro, determinam exatamente quem estará lá dentro e onde eles estarão guardados, como eu os amo!

Mas, quando saio desse ambiente familiar, me deparo com outras pessoas, fora desse círculo, fora dessas regras, dessas molduras. Nós todos nos deparamos com diversas pessoas às quais Deus destina o amor Dele.

Em Lucas 6:1-11, podemos ler duas histórias sobre o amor de Jesus, uma pelos Seus discípulos e outra por um homem que tinha a mão mirrada. O que há em comum nessas duas histórias é que Jesus rompe com algumas regras daquela sociedade, daquele tempo; Jesus rompe com o sábado.

Os judeus guardavam o sábado como um dia de separação, de descanso e santificação ao Senhor, sendo que, com o passar dos anos, eles mesmos criaram tantas regras para que se guardasse o sábado que o que era para ser uma bênção tornou-se um fardo. O sábado não deveria ser um fardo, e sim bênção. Deus abençoou o sábado, e não eram as leis do sábado o foco da lembrança. Deus é quem deveria ser lembrado, a nossa dependência Dele, a maneira como Ele cuida de tudo por nós e o fato de que não teríamos as espigas de trigo para colher se não fosse por Ele. “Misericórdia quero, e não sacrifício, exclamou Jesus”. O homem não foi feito para se tornar refém do sábado, mas sim o sábado foi feito para o benefício do homem.

Para se entender a benção do sábado, é necessário um coração amoroso, um coração feito para o próximo, um coração feito para o homem, um coração disposto a amar até o fim, amar sem medidas, incondicionalmente, um coração inconsequente no amor. Jesus exumou o sábado, tirando dele todo peso e sobrecarga sem sentido. Jesus veio mostrar que é um dia para amar e se concentrar no amor do Senhor.

Agora sabemos que o sábado é para amar, então devemos saber também que, para amar, não há tempo, ou será que Deus, depois de seis dias de trabalho, na criação do mundo, descansou e não levantou mais de Sua poltrona? Pelo contrário, logo após o pecado do homem, Deus deu início ao seu maior esforço de amor e nunca mais descansou. Ele não dorme e nem tosqueneja, nem sequer cochila.

Mas nós podemos, assim como esses fariseus, colocar regras sobre nosso sábado. Quando definimos que o amor é um relacionamento consolidado pelo convívio social, pelo romantismo, pelo afeto, pela amizade. Essa ideia de amor, apesar de ser funcional, bonita, prática e prazerosa, é subjetiva e nos permite colocar o próximo sob juízo de parâmetros definidos por cada um indivíduo e segundo a sua razão.

  • Eu gosto dele porque ele é lindo; eu o amo porque ele é lindo.
  • Eu gosto dele porque ele é simpático; eu amo porque ele é simpático.
  • Eu gosto da maneira como ele se veste; eu o amo porque ele se veste bem.
  • Vou ajudá-lo porque ele já me fez muito favor.

Cada regra criada por você para compartilhar o amor é como as regras do descanso para os fariseus. Como é possível descansar com o coração cheio de barreiras? Como é possível amar com o coração cheio de obstáculos?
“O amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, o amor de Deus cria o que vale a pena ser amado” . (Martinho Lutero)
Como posso destruir os parâmetros que definem a quem eu devo amar? Como posso me desfazer das molduras dos meus quadros e colocar no porta-retrato aquele a quem Deus criou para eu amar?
Em Mateus 5.46, Jesus fala sobre esses parâmetros de amor quando nos pergunta: que galardão há quando amamos somente a quem nós queremos pendurar em um quadro em nossa parede? Somente a quem cabe em nossas molduras? Somente a quem obedece aos nossos parâmetros, regras e moralismo? A resposta de Jesus é desafiadora: ame além do sábado, ame apesar de ser sábado.
Livrem-se dos parâmetros, das barreiras e dos pesos que impedem de amar, sigam o exemplo do Mestre, que, no amor, foi além do sábado e amou tanto que Se entregou por todos, até mesmo por quem não O amava.

Música sugerida: Seria tão bom (Paulo César Baruk)
https://www.youtube.com/watch?v=_jqWaG7pNB0

12/40 dias C.A.F.E. | O PERFEITO AMOR

Enquanto o mundo encolhe com o medo, o povo de Deus ama.
Devocional 12/40 – 02.04.2020
O PERFEITO AMOR
por Raul Villanueva
“No amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem
consigo a pena, e o que teme não é perfeito amor.” (1 João 4.18)

Ainda não tinha se dado conta de que havia sido contagiado com o vírus. O período de
incubação não durou 14 dias, foi instantâneo. Nos primeiros minutos, apareceram os sintomas iniciais: não tinha febre, mas a temperatura da sua ansiedade subiu; não tinha tosse, mas com as suas palavras contagiou todo mundo; não tinha dificuldade para respirar, mas tinha dificuldade para pensar adequadamente, as mensagens intermináveis de WhatsApp, as postagens aleatórias no Facebook, os vídeos de Instagram e o excesso de informação não verificada foram a via de transmissão do vírus.

Os primeiros a notar a infecção foram seus familiares. Se isolou do mundo, e seu refúgio
foram os meios virtuais de comunicação. Se isolou dos que amava e se conectou ao seu celular. Decretou uma quarentena em forma de crítica e rejeição contra todos aqueles que não pensavam como ele. Todos estavam errados, só ele tinha a razão. Já era tarde. A infecção estava na sua fase terminal. O medo foi o vírus que atingiu seu coração.

O medo é um poderoso gigante que nos desafia todos os dias no nosso vale. Ele é o valentão da escola que está à sua espera pela manhã e que vem atormentá-lo à noite. Ele traz contas que você não pode pagar, dúvidas que você não pode tirar, ansiedades as quais você não pode controlar, tentações a que você não consegue resistir, pensamentos que você não consegue rejeitar, uma realidade que você não pode entender, e uma preocupação que você não consegue encarar. Ele é um vírus invisível que se propaga rapidamente por todo o mundo, um mundo que os profissionais em economia estão chamando de “Mundo VICA”: um mundo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.

O medo é o vírus que se instalou no “software da nossa paz”, afetando todo o sistema da
nossa vida e que desarticulou nossa memória imediata. Quando o medo entra no seu computador pessoal, você esquece tudo o que Deus fez na sua vida, produzindo um “Alzheimer espiritual” que rapidamente vai apagando do seu disco rígido os milagres e as vitórias que Deus te deu em meio aos grandes desafios e crises da sua vida.

O temor então se transforma num ditador enlouquecido que não está disposto a dividir o
seu coração com outras emoções. Você conhece alguém que esteja feliz e tenha medo? Alguém que possa estar confiante e amedrontado? A resposta é não, porque todas essas emoções são expulsas do nosso coração quando o medo toma o lugar de Deus.

A grande verdade é que o medo nunca pulou de paraquedas, jamais se atreveu a fazer algo extraordinário, se atreveu a dar um abraço no momento necessário ou jamais falou “eu te amo”.  O medo nunca curou uma doença, escreveu um poema, publicou um livro, saiu da sua zona de conforto ou venceu as adversidades. O temor não se formou na faculdade, fez um gol que todos celebraram, ou pintou uma obra de arte. O medo nunca fez brilhar seus dons e seus talentos, não construiu uma família, não te fez empreender um negócio, nem te fez sonhar com aquela canção que saiu do coração. O medo não ajudou a transformar sua paixão numa profissão, a mudar de país, a aprender uma nova língua ou a viver intensamente tudo o que Deus tem para você e para sua família. A realidade é que, por todo o barulho que faz, espaço que ocupa e destruição que gera, o
medo nunca nos levou para a terra prometida. Em troca, o temor nos deixa no meio do deserto, dando voltas, confrontando a dura realidade de que a praga de nossos dias começa com a palavra “medo”.

Então, qual é o melhor antivírus contra o medo? O que podemos fazer para enfrentar o
medo nestes tempos voláteis, incertos, complexos e ambíguos? Qual é a resposta que, como povo de Deus, temos que dar a um mundo que está cheio de perguntas e medos?

Encontramos na Palavra de Deus o melhor antivírus e a única resposta possível: ”No amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. ” 1 João 4:18

Que o perfeito amor de Deus te faça lembrar como Ele tem sido bom e misericordioso. Que o perfeito amor de Deus te ajude a sair do barco e te permita caminhar em meio ao mar de incertezas. Que o perfeito amor de Deus faça cair os gigantes que te desafiam todos os dias no vale. Que o perfeito amor de Deus te encha de humildade para saber que existem coisas que você não pode e nem deve controlar, porque é Ele quem está no controle.

Que o perfeito amor de Deus entre na sua vida e encontre um lugar na sua família. Que o
perfeito amor de Deus te ajude a olhar para os que estão longe de você do mesmo jeito que você olha para os que estão perto. Que o perfeito amor de Deus seja uma nuvem durante o dia e uma coluna de fogo durante a noite para te guiar e proteger em meio a este deserto. Que o perfeito amor de Deus ajude você a construir um muro na sua mente, uma muralha na sua alma e uma atalaia no seu coração, a fim de que o inimigo não possa destruir a obra que Deus está fazendo em você.

Que o perfeito amor de Deus traga fé e esperança para que você possa compartilhar o Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Música sugerida: Teu amor não falha (Nívea Soares)
https://www.youtube.com/watch?v=0UrbnH4BTXQ

11/40 dias C.A.F.E. | RECONHECIDOS COMO VERDADEIROS DISCÍPULOS

Enquanto o mundo encolhe com o medo, o povo de Deus ama.
RECONHECIDOS COMO VERDADEIROS DISCÍPULOS
Devocional 11 por Marcelo Maidana

“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.” João 13.34

Texto-base: 1 Coríntios 13

O tempo que estamos vivendo tem sido único em nossas vidas. A imposição do isolamento social faz com que tenhamos que limitar o contato físico com pessoas que tanto amamos: pais, filhos, netos, avós, amigos. Nossos encontros têm sido apenas pelas telas dos celulares, tablets e computadores. Uma das melhores expressões de afeto – o abraço – está restrito àqueles que moram em nossas casas.

Todavia, essa circunstância – a exigência do convívio em todas as horas do dia – tem exposto muitas fragilidades de relacionamento justamente com as pessoas que deveriam nos ser mais próximas: nossa família. Em nosso cotidiano, quando o convívio se reduz às horas em que estamos em casa, nem sempre isso se evidencia; porém, quando o contato se amplia para as 24 horas do dia, muitas dificuldades de relacionamento se revelam.

Nesse contexto, temos que ter sempre em mente o texto de Paulo em 1 Coríntios: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. […] Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Co 13.4,5;7)

Quando agimos motivados pelo amor que Deus derrama em nossos corações e seguimos o Seu exemplo (1 Jo 4.7;11), conseguimos amar incondicionalmente apesar dos conflitos cotidianos que muitas vezes parecem intransponíveis. Quando somos tomados pelo Seu amor, temos mais paciência, agimos com bondade, abandonamos o egoísmo, o orgulho, a arrogância e o rancor. Somos mais tolerantes e colocamos o interesse dos outros acima dos nossos (Fp 2.1-4).

E qual a principal consequência da manifestação do amor de Deus em nossas vidas? “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.” (João 13.34)

Se queremos ser reconhecidos como verdadeiros discípulos de Jesus, precisamos revelar o amor que Ele derramou sobre nós. E o primeiro ambiente para fazermos isso é a nossa casa. Nossas famílias precisam ser as primeiras a serem alcançadas por uma vida que transborda o amor de Deus. De nada adiantará falarmos do amor de Jesus para nossos amigos se esse amor não estiver presente nos nossos lares.

Tenho pedido a Deus que sonde meu coração e me releve de que formas posso amar melhor minha esposa e meus filhos. Eles são os primeiros que sentem o impacto de minhas atitudes quando elas partem de um coração que não está imerso no amor que Deus colocou em minha vida. Entretanto, também são os primeiros que respondem positivamente quando percebem Deus em minhas palavras e ações.

Em tempos de isolamento social, que formas podemos encontrar para sermos reconhecidos como verdadeiros discípulos de Jesus? Certamente, amar nossas famílias é a melhor maneira.

Música sugerida: Essência de Deus (João Alexandre)
https://www.youtube.com/watch?v=tQDFU_1VqPM

10/40 dias C.A.F.E. | DO OUTRO LADO DO PÃO

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
DO OUTRO LADO DO PÃO
Devocional 10 por André Delgado

“Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. […] Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.” Atos 2.42;44

Texto-base: Atos 2.42-47

Quando entreguei minha vida a Jesus Cristo, eu era uma pessoa muito empolgada com a nova forma de viver que me tinha sido apresentada. Os ensinos sobre amor altruísta sempre me surpreendiam, eu desejava viver como Jesus, queria entregar para as pessoas o que Jesus entregava: esperança. Eu sabia que poderia fazer isso, porque sabia que o mundo em que vivemos é muito carente desse amor verdadeiro. Os princípios de “uns aos outros”, de “fazer aos outros o que gostaria que fizessem por mim” (Mt 7.12), tudo isso sempre me estremeceu por dentro e sempre me dediquei muito por isso.

Em meu coração, fazer pelos outros o que eles mesmos não poderiam fazer por si me trazia uma satisfação e uma sensação de semelhança com o Mestre.

Em 2011, eu fui encorajado a participar do “Celebrando a Restauração”. Quase no final do programa, em setembro, eu viajei com minha família para o interior de Santa Catarina para visitar um casal de amigos que, assim como nós, eram missionários. Eu nunca imaginei que iríamos ficar ilhados, com quatro crianças, sem poder sair para comprar comida, sem luz, racionando a água e vendo da janela o caos ao redor. Meu amigo morava em um sobrado cuja parte térrea havia ficado submersa. A cidade tinha sido atingida pela pior enchente já registrada na sua história. No terceiro dia de enchente, as águas estavam baixando, a comida e a água potável terminando. Já tinha acabado nosso pão. Lembro-me de que nossas esposas haviam feito um bolo e que compartilhamos um pedaço com outra família.

Na manhã seguinte, eu ouvi alguém gritar: “tem crianças na última casa, leva esse pão lá!”. Alguém, de barco, a quem eu nunca havia visto e cujo rosto já não consigo lembrar, nos alcançou um saco com pães. Apesar de não saber quem era aquela pessoa, eu me lembro bem de que lado do pão eu estava. Até então, eu sempre tinha estado alcançando o pão; todavia, naquele dia, receber o pão deu um novo sentido para as oportunidades que Deus me concede para estender a mão ao próximo. Me fez perceber a vida de Jesus através daquelas mãos que me alcançavam o alimento. Eu pude ver o Mestre bem mais perto do que eu imaginava que Ele estaria. É como se Ele dissesse: “eu te amo”, “eu estou contigo”, “creia em mim”. Em 2015, nossa igreja socorreu muitas vezes as famílias atingidas pela enchente na Ilha das Flores. Eu estava lá como servo voluntário, e toda vez que entregava alimentos e uma oração de conforto, eu era ministrado pelo Espírito Santo.

Em momentos de crise como o que estamos vivendo hoje, é comum ver as pessoas acumulando para si mesmas, olhando “para seu próprio umbigo”, retendo o máximo que podem. Contudo, o povo de Deus compartilha. No texto de Atos 2, as pessoas se dedicavam ao ensino, à comunhão e ao partilhar o pão e as orações; eles tinham tudo em comum. Se fosse hoje, eles distribuiriam o álcool em gel, os remédios mais difíceis de se conseguir e tudo que as pessoas estivessem precisando. É isso que devemos fazer. E assim como milhares de pessoas foram salvas naqueles dias, essa história se repetirá hoje.

O motivo pelo qual passamos por crises é porque esse é o nosso chamado, a nossa missão: trazer alívio, compartilhando o que temos, pois tudo o que possuímos e somos está em Jesus.

Nunca soube quem era o padeiro que tinha feito aqueles pães que eu recebi, só soube que, enquanto ele tinha farinha, produzia os pães para serem compartilhados gratuitamente. Deus o sustentou, e muitas pessoas que como eu estavam “deste lado do pão”, viram Jesus bem perto, ouviram sua voz, se encheram de paz e o adoraram.

Diante desta pandemia, talvez você seja um padeiro, ou um homem gritando para que levem comida a alguém, talvez um homem sem rosto em um barco alcançando o alimento, ou ainda alguém que está “deste lado do pão”. Não importa. Deus quer usar você. Compartilhe o amor, a fé e o pão.

Música sugerida: O meu querer (Paulo César Baruk)
https://www.youtube.com/watch?v=ouk0X5tXjwU

09/40 dias C.A.F.E. | HORA DE MORRER

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
HORA DE MORRER
Devocional 09 por Ranulfo Nascimento

“Pois, por meio da lei eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
(Galátas 2.19,20)

Eu e você, como discípulos de Jesus, somos convidados a fazer a leitura do nosso tempo e
do mundo no qual estamos inseridos. A notícia de uma pandemia deveria ser normal para nós, pois ela é profética: no final dos tempos, haveria os sinais de pragas, fome, guerras… como está previsto na Bíblia. A lembrança de que Deus é soberano em toda e qualquer circunstância também deveria ser algo normal e vivo dentro de nós e de pronto entendimento para seus discípulos. Por isso, somos para morrer!

Enquanto muitos estão com medo da morte e desesperados com as incertezas do futuro, eu e você somos desafiados a morrer para nós mesmos. Em meio ao caos da COVID-19, temos a oportunidade de morrer para o nosso EU, nossa CARNE, nosso EGOÍSMO, nosso MEDO. Quem sabe uma pandemia pode ser uma advertência divina para lembrarmos que temos que morrer? A declaração de Paulo de estar crucificado com Cristo implica a morte daquilo que é desejo e paixão. (Gálatas 5:24: os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e seus desejos.)

O momento é oportuno para manifestar o fruto do Espírito: amor, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Porém, isso só é possível por meio da morte da nossa carne, dos nossos desejos e dos nossos medos. “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim!”. Agora, não sou mais eu, mas o Governo do Espírito Santo sobre minha vida.

Que o Espírito nos ajude a morrer por meio do jejum e da oração, para que outros possam encontrar vida por meio de um telefonema, uma oração intercessora, uma cesta básica, um álcool gel, uma oferta para uma família carente, um galão de água potável para aqueles que estão em situação de risco nas comunidades carentes da nossa cidade, enfim. Todas essas práticas são formas de morrer. O nosso morrer para nós mesmos pode e vai gerar vida no outro. Enquanto o mundo pensa em acumular, com medo do amanhã, eu quero te convidar a dividir, lembrando que é melhor dar do que receber.

Certamente, a dificuldade que temos para morrer se dá pelo fato de estarmos MUITO VIVOS!

Qual é sua posição hoje? Está em uma condição que você pode dividir? Dar algo ao outro é um sinal que estamos morrendo para nós mesmos!

Eu decidi que, em tempos de pragas, eu quero morrer, para que o amor, o cuidado, a graça, a misericórdia e a compaixão do meu Senhor possam ser revelados.

E você, o que decide?

Música sugerida: Porque Ele vive (Fernandinho)
https://www.youtube.com/watch?v=KEeaY1izalQ

08/40 dias C.A.F.E. | COMO MANTER O EQUILÍBRIO? ONDE BUSCAR A CONFIANÇA?

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
COMO MANTER O EQUILÍBRIO DIANTE DO CAOS?
ONDE BUSCAR A CONFIANÇA PARA SUPERAR O MEDO?

Devocional 08 por Gema Sordi

“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-Poderoso pode dizer ao Senhor: Tu és meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.” (Salmo 90.1,2)

Texto-base: Salmos 91

Essas perguntas estão em minha mente nestes últimos dias, e é possível que estejam presentes na mente de muitos. O inesperado bate a nossa porta; o improvável toma forma; simplesmente emissão de alertas. Quando tudo estava tranquilo, a vida seguindo normalmente, os compromissos sendo cumpridos, a agenda sendo seguida, eis que chegou a notícia de um vírus que estava trazendo morte em um país distante.

Aparentemente não se tratava de algo que pudesse nos preocupar; afinal, era muito longe e dificilmente chegaria até aqui. “Vida normal, seguramente isso vai passar rápido”. Foi isso que pensei e segui a vida normalmente.

Em pouco tempo, as notícias foram tomando um rumo que colocou o mundo todo em alerta, pois o vírus, altamente contagioso, avançava rapidamente, trazendo mais e mais mortes em vários países, alcançando um grande número de pessoas. O medo começou a se instalar por todo o lado. Até que o inevitável passou a acontecer.

Minha pergunta foi: “como assim; está se alastrando rapidamente e vindo também para o Brasil?”.

Não houve tempo para me preparar! Isto mesmo, sem muitos alertas, sem o “soar das trombetas e buzinas”, a ordem foi dada: todos precisam parar e esperar até a onda passar.

O que começa a acontecer então? Nosso país começa a viver uma unidade nunca experimentada antes. Há um despertar da urgente necessidade de adaptação ao isolamento para a preservação da vida diante da ameaça do contágio, da morte e da destruição. Dia após dia, as atividades vão diminuindo, a circulação de pessoas desaparecendo, as ruas tornando-se desertas, a ameaça batendo à porta de todos. Instala-se o medo e a insegurança de forma visível.

E agora, para onde ir? Onde posso encontrar meu lugar seguro?

O Salmo 91 nos ajuda a encontrar um lugar seguro. Debaixo das asas do Pai, estaremos guardados do mal. Ali, encontramos respostas para tempos difíceis, como este que estamos vivendo hoje. Há uma promessa para o povo de Deus. NEle temos nossa esperança.

Portanto, minha conclusão é: que privilégio saber que a minha segurança está no Senhor, Este que fez os céus e a terra, que me formou a Sua imagem e semelhança, que me conhece desde o ventre da minha mãe e que escreveu os meus dias quando nenhum deles ainda havia. Ele conhece o meu pensar e sabe como estou e que sem Ele eu não vou conseguir passar por este deserto.

O Salmo 139 me traz a segurança e a certeza de que o Senhor conhece tudo sobre mim, até mesmo os meus pensamentos. Sendo assim, Ele cuidará de mim.

Meu recado para você que está lendo, mesmo em tempos de guerra é: devemos lembrar que recebemos do SENHOR a alegria da salvação em Jesus Cristo e que como seus seguidores devemos procurar ser sal e luz e levar a esperança aos corações.

Se você estiver preocupado, busque ao Senhor em oração, que Ele cuidará de você.

Segue meu abraço, em nome de Jesus Cristo, nosso Amado Pai.

Música sugerida: Sonda-me, Usa-me (Aline Barros)
https://www.youtube.com/watch?v=MzLBmGf1fSQ

07/40 dias C.A.F.E. | MEU, SEU OU DELE?

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
MEU, SEU OU DELE?
Devocional 07 por André Santos

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem.” (Salmo 24.1)

Texto-base: João 6.1-15

O mundo vive a maior crise dos últimos anos, ou décadas!

São muitas orientações, acompanhadas de muitas dúvidas e inseguranças. Dias difíceis para nossas famílias! Mas talvez o maior desafio para grande parte da população (me incluo nela) tem sido abrir mão de um dos principais direitos fundamentais: a liberdade de ir e vir (devido ao isolamento social).

Temos dificuldades de lidar com o “abrir mão”, principalmente dos nossos direitos. Passamos a vida em busca deles: em nossos relacionamentos, no trabalho, no casamento, e até mesmo em nossa relação com Deus. Quando lemos a história da multiplicação, em João 6:1-15, percebemos vários personagens (Jesus, os discípulos, a multidão e um menino), e, por meio de cada um deles, tiramos uma lição, um aprendizado.

Mas quero falar sobre o menino que estava no meio da multidão, cujo nome nem mesmo é citado na Bíblia, mas foi alguém que, em meio à crise, abriu mão dos seus direitos, assumiu o risco de não comer e entregou tudo o que tinha para abençoar a multidão.

Esse menino não podia imaginar o desfecho, era pouco aos olhos dos discípulos e da multidão, mas o suficiente nas mãos de Jesus! Ele estava disposto a servir, repartir e compartilhar, pois, vendo Jesus amando pessoas, ele entendeu que, assim como o “Pai é Nosso”, o “Pão é nosso”, e, com essa renúncia, ele experimentou o milagre.

Quando abrimos mão dos nossos direitos e cumprimos nosso dever como discípulos de Jesus, experimentamos o milagre. “Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a REPARTIR.” 1 Timóteo 6.18

Repartir não é no meu tempo, “QUANDO EU QUERO”, mas quando o “OUTRO PRECISA”.

Em seu livro, A Última Flecha, o pastor Erwin McManus nos encoraja dizendo: “a maioria de nós sabe que é espiritual orar, mas de algum modo deixamos passar o fato de que tão espiritual quanto orar é agir”.

Estamos isolados, mas não alienados ao que está acontecendo ao nosso redor. Não espere pelo dia em que terá mais recursos para repartir. No auge de uma crise sem perspectivas, há alguém aguardando o milagre, e você pode fazer parte dele. Lembre-se de que tudo vem dEle, e somos apenas mordomos de tudo aquilo que ele tem nos confiado, inclusive o tempo. Use esse tempo para compartilhar amor, fé e esperança!

Deus quer usar a sua igreja nesse tempo, HOJE!

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem.” Salmos 24.1

Pai, que as pessoas enxerguem o Senhor através de nós! Ensina-nos a abrir mão dos nossos direitos, e viver na perspectiva do Reino, e na expectativa do que o Senhor fará em nós, por nós e através de nós em meio a essa crise. Abrimos mão dos nossos direitos para ver o milagre do Senhor.

Música sugerida: Infinitamente Mais (Asaph Borba)
https://www.youtube.com/watch?v=EDp-AKOzI1g

06/40 dias C.A.F.E. | COMPARTILHANDO COM A PRÓXIMA GERAÇÃO

Enquanto o mundo acumula, o povo de Deus compartilha
COMPARTILHANDO COM A PRÓXIMA GERAÇÃO
Devocional 06 por Michel Santos

“Uma geração contará a outra a grandiosidade dos teus feitos;
eles anunciarão os teus atos poderosos.” (Salmo 145.4)

Texto-base: Salmos 145.3-21

Em meio à crise mundial que se instaurou a partir da disseminação do Covid-19, tudo tem mudado em nossa rotina e cabe a nós, como discípulos do Senhor Jesus, buscar saber o que Ele quer de nós nesse momento, de que forma podemos cumprir nossa missão apesar do distanciamento das pessoas, do trabalho e de nossas atividades.

Olhando para poucos dias atrás, em tempos “normais”, vemos uma sociedade que tem vivido dias onde é “cada um por si”, “esse é o meu pensamento e assim agirei”, ou “trabalho para alcançar os meus objetivos”, ou seja: tempos de individualismo, de pensar em si, nos seus próprios ideais e isso tem, por vezes, alcançado o povo de Deus.

Entretanto o chamado do Senhor para nossas vidas é o de anunciar as boas novas, servir os outros, repartir e fazer conhecida a Sua grandeza, o que vai à contramão daquilo que presenciamos diariamente por onde andamos.

Agora, nos deparamos com uma realidade que não estamos acostumados: precisamos ficar em casa, não podemos mais sair, nem ir em busca daquilo que tanto sonhamos, daquilo que por vezes nos fez passar por cima de tantos valores simplesmente para que alcancemos nosso desejo.

E agora, o que fazer se tudo o que empenhamos nossas forças não podemos mais exercer? Ficar em casa? Parece não haver sentido, mas momentos como esse ressaltam nossa limitação e nos lembram da grandeza do nosso Deus.

Desde que me tornei pai, entendi isso como um grande privilégio e ao mesmo tempo compreendi a minha grande responsabilidade de cuidar e pastorear o coração das nossas filhas, entendendo que Deus me confiou essa grande missão e ela não pode ser transferida.

Em uma sociedade focada em conquistar, em adquirir, em pensar em si, talvez essa missão não seja vista como a mais bela. O que presenciamos é uma grande omissão em cumpri-la, o que tem gerado um distanciamento entre pais e filhos, filhos que não conhecem o Senhor, que acabam buscando em outros lugares a base para as suas escolhas e não tem encontrado um ambiente aberto para abrir suas necessidades.

O Salmo 145:4, fala que uma geração contará a outra geração a grandiosidade dos feitos do Senhor. Mas, se nós pais estamos tão ocupados com nossos afazeres, em conquistar aquilo que almejamos e não compartilhamos os feitos do Senhor, como eles saberão? Onde buscarão sua salvação e esperança para o futuro?

Creio que em meio a toda essa crise, Deus está nos dando a oportunidade de, como pais, voltarmos o olhar para aqueles a quem Ele nos entregou para amar, cuidar e compartilhar os Seus feitos, a compartilhar aquilo que fez em nossas próprias vidas.

Quero encorajar você a aproveitar esse tempo e ser intencional nessa vivência em família, com seus filhos. Peça a Deus criatividade, faça coisas legais com eles, lembre-se de coisas da sua infância e conte a eles, brinque, esteja junto, mas seja intencional em compartilhar coisas profundas do seu coração, das verdades da palavra de Deus e de quem Deus é.

É tempo de sonhar juntos, de dar início há um tempo que talvez nunca houve, mas que precisa ser vivido e trará resultados incríveis.

Essa missão é nossa como pais, ninguém mais fará por nós.

Música sugerida: Família (Daniel Costa)
https://www.youtube.com/watch?v=Rdv6fM3FlC8